A sombra de Flávio Bolsonaro nos EUA: o que muda com as eleições americanas?
A possível vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos EUA coloca sob lupa a estadia de Flávio Bolsonaro, alvo de investigações no STF e questionado por parlamentares americanos.

Foto: Flávio Bolsonaro Crédito: REUTERS/Agustin Marcarian · Original e licença
A proximidade das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para a próxima terça-feira (3), trouxe um novo elemento de tensão para o governo de Donald Trump: a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em solo americano. O parlamentar, que é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), deixou o Brasil em 27 de outubro, ignorando determinações judiciais que incluíam o cancelamento de seus passaportes.
A viagem, realizada por via terrestre até a Argentina e seguida por um voo particular com escala no Equador, gerou uma onda de cobranças nas redes sociais. O debate ecoou no Congresso americano, onde um grupo de 25 deputados democratas, liderado por Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio. Os parlamentares questionam se houve facilitação por parte de agências do governo dos EUA para a entrada do senador, apesar das restrições impostas pela Justiça brasileira.
Embora a pressão política cresça, especialistas em relações internacionais ponderam sobre o alcance real de uma possível maioria democrata no Legislativo. Segundo Roberto Uebel, da ESPM, o Congresso americano não possui jurisdição para determinar a deportação de estrangeiros, competência que cabe ao Poder Executivo. O professor Vitelio Brustolin, da UFF, reforça que, embora os democratas possam utilizar instrumentos de fiscalização para convocar autoridades e exigir explicações, o acesso a documentos migratórios pode ser limitado por prerrogativas da Casa Branca.
Analistas avaliam que, mesmo com o controle das casas legislativas, a situação de Flávio Bolsonaro dificilmente será a prioridade da oposição, que deve concentrar esforços em temas como economia e custo de vida. Contudo, o episódio serve como um termômetro para o desgaste político da administração Trump, que enfrenta um cenário eleitoral decisivo para o equilíbrio de forças no país.
Em resumo
- Flávio Bolsonaro está nos EUA após descumprir ordens judiciais do STF, que investiga o senador por irregularidades financeiras.
- Um grupo de 25 deputados democratas questionou formalmente o governo Trump sobre uma possível facilitação na entrada do brasileiro no país.
- Especialistas apontam que o Congresso americano não tem poder direto para deportar o senador, mas pode usar mecanismos de fiscalização para desgastar a gestão republicana.
Fonte: Brasil 247

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