Mercado financeiro reage à reeleição de Lula com alta nas projeções de inflação
Após o segundo turno, analistas revisam para cima as estimativas de inflação para 2027 e 2028, citando incertezas fiscais e a valorização do dólar.

Foto: Banco Central Crédito: REUTERS/Adriano Machado · Original e licença
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gerou uma movimentação imediata nas expectativas do mercado financeiro. Segundo levantamento da corretora BGC Liquidez, realizado logo após o segundo turno, analistas elevaram as projeções de inflação para os próximos dois anos, citando preocupações com a política fiscal, a trajetória dos juros e a recente valorização do dólar, que fechou a última sexta-feira (30) cotado a R$ 5,44.
O estudo, que ouviu cerca de 30 gestores e profissionais de tesouraria, aponta uma inflação de 5,3% para 2027 e de 4,3% para 2028. Os números representam uma deterioração em relação ao último boletim Focus do Banco Central, que previa 4,34% e 3,75%, respectivamente. A estimativa para 2027, inclusive, supera o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
Carlos Thadeu, economista da BGC Liquidez, atribui a revisão à percepção de falta de uma âncora fiscal robusta. Segundo o especialista, o mercado havia precificado uma expectativa de cortes de gastos que não se sustenta no atual cenário. Além disso, o economista aponta que a possível implementação do fim da escala 6x1 pode pressionar os custos operacionais das empresas, refletindo nos preços ao consumidor.
O cenário de incerteza também impactou as apostas para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para o dia 4. A expectativa de um corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano, perdeu força. Atualmente, o mercado vê apenas 20% de chance de uma redução mínima de 0,25 ponto, com a curva de juros futuros já incorporando uma alta acumulada de 1,5 ponto percentual para 2027.
Em resumo
- Projeções de inflação subiram para 5,3% em 2027 e 4,3% em 2028.
- Dólar atingiu R$ 5,44, pressionando custos de importação e combustíveis.
- Mercado estima necessidade de ajuste fiscal de R$ 250 bilhões em quatro anos.
- Expectativa de corte na taxa Selic diminuiu drasticamente entre investidores.
Fonte: Brasil 247

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