Isolado e em crise, Milei vê seu projeto ruir após vitória de Lula
A reeleição de Lula no Brasil aprofunda o isolamento diplomático de Javier Milei, que enfrenta recessão técnica, fuga de capitais e queda na popularidade na Argentina.

Foto: Lula e Javier Milei Crédito: Brasil 247 / Dall-E · Original e licença
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil impôs um duro revés à estratégia geopolítica de Javier Milei, agravando o isolamento do líder argentino em um momento de fragilidade interna. Ao apostar abertamente na candidatura de Flávio Bolsonaro, Milei transformou a eleição brasileira em um plebiscito ideológico que, ao ser derrotado, deixou o governo libertário em uma posição diplomática desconfortável. Até o momento, a chancelaria argentina evita o reconhecimento formal do resultado, uma postura que destoa de outros líderes regionais, inclusive de direita, que já cumprimentaram o petista.
O cenário externo adverso ocorre em meio a uma crise econômica profunda. Dados citados pelo canal argentino C5N indicam que o país entrou em recessão técnica, com o PIB registrando contração pelo segundo trimestre consecutivo. A indústria, a construção civil e o comércio foram os setores mais atingidos, enquanto a narrativa oficial de recuperação perde força diante de indicadores que apontam para uma das piores retrações econômicas desde 1993, excluindo o período da pandemia.
A desconfiança dos mercados financeiros reflete o pessimismo com a gestão atual. O índice Merval acumulou queda de 10,1% em uma semana, e o risco-país disparou para 790 pontos básicos, o maior nível desde outubro de 2025. A pressão sobre as reservas internacionais e a dificuldade em refinanciar a dívida externa, com vencimentos bilionários previstos para 2027, colocam o governo sob constante vigilância de investidores.
Internamente, a popularidade de Milei patina em 27,1%, segundo levantamento da CB Global Data. A fragilidade política é acompanhada por disputas internas no bloco governista, onde figuras como Martín Menem tentam blindar a candidatura do presidente para 2027, em um recado direto a possíveis dissidências, como a da ex-ministra Patricia Bullrich. A permanência de Lula no comando da maior economia sul-americana força agora um pragmatismo que o governo argentino, até então, tem demonstrado dificuldade em adotar.
Em resumo
- A reeleição de Lula isola Milei, que apostou na vitória de Flávio Bolsonaro.
- A Argentina entrou em recessão técnica com dois trimestres seguidos de queda no PIB.
- O risco-país atingiu 790 pontos, refletindo a desconfiança do mercado financeiro.
- A popularidade de Milei está em 27,1%, com disputas internas sobre o futuro político do governo.
Fonte: Brasil 247

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