Política

Radicalização digital: perfis evangélicos pregam boicote e demissão de eleitores de Lula

Estudo revela que influenciadores e lideranças religiosas radicais promovem exclusão de artistas de esquerda e defendem perseguição política contra trabalhadores.

Foto: Laecio Pregador. Foto: Reprodução · Original e licença

Um levantamento realizado pela Casa Galileia e pelo Instituto Democracia em Xeque expôs uma onda de intolerância política em perfis evangélicos nas redes sociais. O estudo, que analisou mais de 30 mil publicações entre 12 e 29 de outubro, identificou uma campanha articulada para promover o boicote a pregadores e cantores identificados com a esquerda, além de incentivar a demissão de trabalhadores que votaram no presidente Lula (PT).

O monitoramento, que abrangeu plataformas como Instagram, YouTube, X, TikTok e Facebook, revelou propostas extremas, incluindo o cancelamento de obras sociais e a interrupção da distribuição de cestas básicas em templos. Entre os conteúdos de maior alcance, o pastor Laecio Pregador classificou apoiadores do governo como "lobos no meio de ovelhas", endossando a prática de demissões por motivação política. Na mesma linha, o portal Gospel Mais Brasil anunciou publicamente o rompimento de parcerias com qualquer figura pública que manifeste posicionamento de esquerda.

Apesar da ofensiva, o relatório aponta que não há consenso no segmento evangélico. Lideranças religiosas, como o pastor Samuel Nova, repudiaram as medidas, classificando as ações como perseguição e defendendo que a fé cristã deve prezar pelo cuidado com o próximo, independentemente de suas escolhas políticas. O documento destaca ainda o papel do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) como o principal motor de engajamento entre os perfis analisados, concentrando quase 98 milhões de interações no período.

Em resumo

  • Estudo analisou 30.132 postagens de 573 perfis evangélicos entre 12 e 29 de outubro.
  • Influenciadores radicais defendem boicotes a artistas e demissões de eleitores de Lula.
  • Lideranças religiosas divergiram, com parte delas repudiando o corte de auxílios e a perseguição política.
  • Deputado Nikolas Ferreira liderou o engajamento entre os perfis monitorados.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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