Justiça

Justiça abre arquivos sobre a morte de Tancredo Neves após quatro décadas de mistério

Decisão unânime do TRF-1 permite que a família do ex-presidente acesse prontuários médicos de 1985, buscando respostas sobre possíveis falhas no tratamento que impediu sua posse.

Foto: Tancredo Neves sentado ao lado de médicos durante a internação em 1985. Foto: Reprodução · Original e licença

Quatro décadas após o falecimento de Tancredo Neves, a Justiça Federal decidiu que o segredo em torno de seus últimos dias de vida deve ser revelado. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou, de forma unânime, que os herdeiros do político tenham acesso integral aos registros médicos da internação que ocorreu na véspera da posse presidencial, em 1985. A medida atinge diretamente a autarquia federal que regula a profissão médica no país e sua representação no Distrito Federal, órgãos que vinham negando o acesso aos documentos sob a justificativa de proteger o sigilo entre médico e paciente.

A trajetória de Tancredo, que deveria marcar o fim do regime militar, foi interrompida por uma série de intervenções cirúrgicas após um diagnóstico de diverticulite. Desde então, o caso é cercado por dúvidas. Em 2010, o livro O Paciente, de autoria de Luís Mir, trouxe a público questionamentos de especialistas sobre a condução do tratamento, citando desde a presença excessiva de pessoas na sala de cirurgia até procedimentos considerados inadequados para o quadro clínico da época. A família, representada pela advogada Juliana Porcaro, sustenta que o acesso aos prontuários é fundamental para esclarecer se houve negligência ou erro médico, especialmente após a revelação de que profissionais envolvidos no atendimento chegaram a ser advertidos pelo órgão regional de medicina, sem que os detalhes dessas punições fossem expostos à sociedade.

Enquanto a família busca a verdade histórica, as entidades médicas envolvidas na disputa declararam que ainda aguardam a notificação oficial da decisão judicial para se manifestarem sobre a liberação dos arquivos. O episódio reacende o debate sobre a transparência em casos de figuras públicas e a responsabilidade dos órgãos de classe na preservação de informações que, após tanto tempo, ganham contornos de interesse público e histórico.

Em resumo: - O TRF-1 autorizou a família de Tancredo Neves a consultar prontuários médicos de 1985 que estavam sob sigilo. - A decisão obriga a entidade máxima da medicina e sua regional no DF a fornecerem os registros da internação. - O objetivo é investigar suspeitas de erro médico que persistem desde a morte do presidente eleito.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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