A mobilização popular como motor da virada eleitoral de Lula
O jurista Alysson Mascaro avalia que a reeleição de Lula foi garantida pela entrada em cena das massas, superando a inércia burocrática da campanha inicial e impondo novos desafios ao quarto mandato.

Foto: Lula Crédito: Ricardo Stuckert · Original e licença
A conquista do quarto mandato por Luiz Inácio Lula da Silva representou uma reviravolta política que, segundo o filósofo do direito Alysson Mascaro, só foi possível devido à intervenção direta da classe trabalhadora e dos jovens. Em conversa com o jornalista Leonardo Attuch, o professor da USP argumentou que a estratégia inicial da campanha, pautada por uma lógica de gabinetes e conciliação, mostrou-se insuficiente para conter o avanço do extremismo.
Mascaro observou que a fase inicial da disputa eleitoral foi conduzida por uma burocracia partidária excessivamente preocupada em transmitir segurança ao mercado financeiro e aos setores conservadores. Essa postura, descrita pelo jurista como uma tentativa de agradar a todos, acabou por não entusiasmar a base social, deixando o campo aberto para o ressentimento político. Foi apenas quando o risco de um retrocesso institucional se tornou evidente que a população decidiu ocupar o espaço público por conta própria.
O jurista destacou que o ponto de inflexão ocorreu fora das estruturas formais de poder. Como exemplo, citou a mobilização espontânea dos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, que serviu de catalisador para uma onda de engajamento cívico em diversas regiões do país. Esse movimento autônomo foi o que, na visão de Mascaro, garantiu a vitória nas urnas e impediu a continuidade de um projeto que visava a entrega de ativos estratégicos, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.
Ao analisar o futuro do novo governo, o filósofo ponderou que Lula carrega um histórico de conciliação que pode colidir com as necessidades atuais do país. Para Mascaro, o modelo de focar apenas no consumo das famílias, sem tocar nas estruturas de poder econômico ou na taxa de juros, encontra barreiras severas no capitalismo contemporâneo. O governo, portanto, precisará escolher entre manter a governabilidade tradicional ou se sustentar na força das massas organizadas para promover mudanças estruturais.
Em resumo: - A reeleição de Lula foi viabilizada pela entrada em cena da classe trabalhadora e da juventude, superando a estratégia burocrática inicial. - O levante estudantil em Niterói foi um marco simbólico da mobilização que freou o avanço da extrema-direita. - O novo mandato enfrenta o dilema entre a conciliação com o mercado e a necessidade de reformas estruturais profundas. - A vitória preservou a soberania nacional e a autonomia geopolítica do Brasil no cenário internacional.
Fonte: Brasil 247

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