Base aliada blinda Ricardo Nunes e enterra pedido de impeachment na Câmara de SP
Comissão especial da Câmara Municipal de São Paulo arquiva denúncia contra o prefeito Ricardo Nunes por supostas irregularidades no segundo turno das eleições.

Foto: - Ricardo Nunes - Foto: Wilson Dias/Agência Brasil · Original e licença
A Câmara Municipal de São Paulo decidiu, nesta terça-feira (3), arquivar o pedido de impeachment contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB). A manobra foi consolidada por uma comissão especial composta majoritariamente por aliados do governo, que barrou o prosseguimento da denúncia com cinco votos favoráveis ao arquivamento contra apenas dois contrários.
O processo, protocolado por parlamentares do PSOL, sustentava que o prefeito teria cometido infrações político-administrativas e crimes de responsabilidade. Entre as principais acusações estavam a suposta redução deliberada da frota de ônibus no segundo turno das eleições, em 25 de outubro — descumprindo ordem judicial que exigia a circulação total dos veículos — e denúncias de assédio eleitoral contra servidores municipais.
O relator do caso, vereador Major Palumbo (PP), defendeu o encerramento da tramitação alegando que a denúncia carecia de provas concretas. Em seu parecer, o parlamentar argumentou que a gestão municipal teria cumprido as determinações e que a oferta de ônibus foi suficiente para a demanda do dia. Sobre as acusações de assédio, Palumbo minimizou o caso, afirmando que ocupantes de cargos de confiança compartilham naturalmente das convicções políticas de quem os nomeou.
A votação refletiu a força da base governista na Casa. Enquanto os vereadores Major Palumbo (PP), Rubinho Nunes (União Brasil), Kenji Ito (Podemos), Sandra Tadeu (PL) e Sandra Santana (MDB) votaram pelo arquivamento, a oposição foi representada pelos votos contrários de Luana Alves (PSOL) e Hélio Rodrigues (PT).
Com a decisão, o processo perde qualquer possibilidade de tramitação no Legislativo paulistano. Contudo, a vereadora Luana Alves afirmou que a oposição não desistirá e pretende levar o caso à Justiça comum. Segundo a parlamentar, a tentativa de impeachment na Câmara era apenas uma das frentes de atuação contra o que classificou como crime eleitoral.
Em resumo
- Comissão especial da Câmara de SP arquivou o pedido de impeachment contra Ricardo Nunes por 5 votos a 2.
- Denúncia do PSOL apontava redução da frota de ônibus no 2º turno e assédio eleitoral.
- Relator Major Palumbo alegou falta de provas e transferiu a responsabilidade da apuração para a Justiça Eleitoral.
- Vereadora Luana Alves anunciou que recorrerá ao Judiciário para investigar as condutas do prefeito.
Fonte: Revista Fórum

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