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Colapso do Ueno Bank no Paraguai expõe riscos do 'paraíso' buscado por bolsonaristas

O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank após descoberta de rombo financeiro e uso indevido de recursos da Previdência, em meio à migração de apoiadores de Flávio Bolsonaro ao país.

Foto: - Banco Central do Paraguai e a nota sobre a dissolução do Ueno Bank (Divulgação / BCP) · Original e licença

O Banco Central do Paraguai (BCP) anunciou, na madrugada desta terça-feira (3), a intervenção e o início do processo de resolução do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras do país. A medida foi tomada após a descoberta de um grave rombo na solvência do banco, causado por empréstimos irregulares concedidos a empresas ligadas aos próprios controladores da instituição.

O caso, que guarda semelhanças com o escândalo do Banco Master no Brasil, coloca em xeque bilhões em depósitos, incluindo recursos do Instituto de Previsión Social (IPS), a previdência pública paraguaia. Segundo o jornal ABC Color, o IPS mantinha cerca de 2,15 trilhões de guaranis na instituição, valor que superava os limites de concentração permitidos por lei.

A crise financeira eclode em um momento de alta visibilidade política para o Paraguai, que tem sido promovido por setores da extrema direita brasileira como um refúgio ideal após a derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições de 25 de outubro. Enquanto bolsonaristas buscam regularizar sua situação migratória em mutirões iniciados nesta segunda-feira (2) em Ciudad del Este, o governo de Santiago Peña enfrenta o colapso de um banco cujos controladores possuem laços históricos com o presidente.

O presidente do BCP, Carlos Carvallo, que já foi dirigente do próprio Ueno Bank, apresentou sua renúncia, embora deva permanecer no cargo temporariamente para conduzir a resolução. O banco, que atendia cerca de 3 milhões de clientes, teve suas operações suspensas. O regulador informou que trabalha para garantir a devolução de valores até o limite de 228,3 milhões de guaranis por depositante.

Em resumo

  • O Banco Central do Paraguai iniciou a resolução do Ueno Bank após detectar empréstimos a empresas do grupo controlador e queda na solvência.
  • O Instituto de Previsión Social (IPS) tinha 2,15 trilhões de guaranis expostos na instituição, levantando questionamentos sobre a gestão de recursos públicos.
  • A crise ocorre no momento em que o governo paraguaio facilita a entrada de estrangeiros, atraindo brasileiros que buscam o país como destino após o pleito de outubro.

Fonte: Revista Fórum

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