Política · Justiça

Judeus progressistas buscam diálogo após ataques e listas de boicote na comunidade

Após o pleito, grupo Judias e Judeus pela Democracia enfrenta perseguição política por parte de apoiadores de Flávio Bolsonaro, que utilizaram retórica nazista para promover boicotes.

Foto: A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva em evento do coletivo Judias e Judeus pela Democracia, em São Paulo - Perola Dutra - 10.out.26/Divulgação Judias e Judeus pela Democracia · Original e licença

A polarização política no Brasil deixou marcas profundas na comunidade judaica, culminando em uma campanha de perseguição contra membros que declararam apoio à reeleição do presidente Lula. Um grupo de apoiadores do político Flávio Bolsonaro (PL) organizou e disseminou uma lista contendo mais de 1.300 nomes de judeus, incluindo artistas, jornalistas e acadêmicos. O documento foi batizado com uma referência direta ao Holocausto, intitulado como uma relação do primeiro trem para Auschwitz, o que gerou indignação entre as vítimas.

Marcelo Semiatzh, um dos coordenadores do movimento Judias e Judeus pela Democracia, afirmou que a lista foi distribuída entre familiares e conhecidos dos alvos. Ele declarou que o grupo mantém a expectativa de que os ânimos se acalmem após o encerramento do processo eleitoral, mas ressaltou que não hesitará em acionar a Justiça caso as hostilidades continuem. Relatos indicam que alguns dos citados sofreram prejuízos profissionais e perda de contratos devido à exposição.

Entidades representativas, como a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e a Confederação Israelita do Brasil (Conib), repudiaram publicamente a iniciativa. Em notas oficiais, as organizações enfatizaram que a pluralidade de opiniões é uma tradição fundamental da identidade judaica e que a filiação partidária não deve ser motivo para exclusão ou perseguição. A Fisesp também criticou o uso de termos como kapos para rotular opositores, lembrando que esse vocabulário remete à violência dos campos de concentração.

Para Semiatzh, a animosidade é alimentada por desinformação sobre a postura do governo Lula em relação a Israel e à questão palestina. Ele defende que o foco da comunidade deve se voltar para pautas concretas, como a discussão sobre a inclusão do antissemitismo na legislação brasileira contra o racismo. O movimento, que realizou um ato de apoio a Lula na Casa do Povo antes do segundo turno, acredita que a necessidade de diálogo prático com o governo reeleito ajudará a pacificar o ambiente comunitário.

Em resumo: - Apoiadores de Flávio Bolsonaro criaram uma lista de boicote com mais de 1.300 nomes de judeus que apoiaram a reeleição de Lula. - O uso de referências nazistas no título da lista foi condenado pela Fisesp e pela Conib como um ataque à pluralidade judaica. - Alvos da perseguição relataram prejuízos financeiros e profissionais. - O movimento Judias e Judeus pela Democracia busca retomar o diálogo e focar em pautas legislativas contra o antissemitismo.

Fonte: Folha de S.Paulo

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