Indústria reage contra juros altos e pressiona Banco Central por corte na Selic
A CNI classificou a manutenção da taxa Selic em 13,75% como excessivamente conservadora e alertou para os impactos negativos no crescimento econômico e no endividamento das famílias.

Foto: Sede do Banco Central, em Brasília Crédito: REUTERS/Adriano Machado · Original e licença
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou forte descontentamento com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira (4), a entidade classificou a postura do Banco Central como excessivamente conservadora e cobrou a retomada do ciclo de cortes já na próxima reunião, agendada para dezembro.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o patamar atual dos juros impõe um custo desnecessário ao país, prejudicando investimentos e o consumo das famílias. Alban argumentou que, embora as expectativas inflacionárias tenham oscilado, o IPCA permanece dentro do intervalo de tolerância da meta, o que permitiria uma flexibilização monetária sem colocar em risco a estabilidade de preços.
O cenário desenhado pela confederação é de alerta: a política restritiva, que perdura há 58 meses, tem asfixiado a atividade econômica. Dados da entidade revelam que o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a 29% em agosto, o maior nível em 21 anos, enquanto o endividamento familiar atingiu a marca recorde de 50,1% da renda acumulada em 12 meses.
A CNI também rebateu a ideia de que a manutenção dos juros seja a solução para o desequilíbrio fiscal. Segundo a entidade, o governo deve focar em medidas de sustentabilidade das contas públicas, em vez de transferir o custo do ajuste para o setor produtivo e para os consumidores por meio do encarecimento do crédito.
Em resumo
- A CNI criticou a manutenção da Selic em 13,75% e pediu cortes em dezembro.
- O endividamento das famílias atingiu recordes, com 29% da renda comprometida com dívidas.
- A entidade defende que o ajuste fiscal seja feito pelo governo, não via juros altos.
Fonte: Brasil 247

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