Vitória democrata no Congresso dos EUA abre nova fase na diplomacia com o governo Lula
O Palácio do Planalto avalia que a nova maioria democrata no Legislativo americano enfraquece o bolsonarismo e facilita a normalização das relações bilaterais.

Foto: O presidente Donald Trump na Casa Branca, em Washington, um dia após as midterms - Evan Vucci/Reuters · Original e licença
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enxerga na recente vitória do Partido Democrata para o controle do Senado e da Câmara dos Estados Unidos uma oportunidade para estabilizar as relações diplomáticas entre os dois países. A avaliação interna no Planalto é de que o resultado eleitoral americano tende a reduzir o espaço de manobra de aliados do bolsonarismo no exterior.
Embora a gestão petista mantivesse uma postura de pragmatismo diante da administração de Donald Trump, a nova configuração do Congresso americano é vista como um facilitador para o diálogo. O primeiro passo prático dessa reaproximação ocorrerá em Paris, nos dias 9 e 10 de novembro, quando o chanceler Mauro Vieira se reunirá com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, durante a cúpula do G7.
Apesar do otimismo com a normalização diplomática, o governo brasileiro mantém cautela quanto a mudanças imediatas no status de figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro que se encontram em solo americano. A leitura de diplomatas é que a situação de nomes como Alexandre Ramagem, condenado pelo STF a mais de 16 anos de prisão, ou de foragidos do 8 de Janeiro, dificilmente sofrerá alterações drásticas antes de uma eventual vitória democrata no Executivo dos EUA em 2028.
No campo econômico, o Planalto respira aliviado. Com o enfraquecimento político de Trump, a expectativa é de que as tensões comerciais, especialmente no que diz respeito a ameaças de sobretaxas, tenham atingido um patamar de acomodação, afastando o risco de novas ofensivas contra o Brasil.
Em resumo
- O Partido Democrata conquistou a maioria no Senado e na Câmara dos EUA, alterando o cenário político local.
- O chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio têm encontro agendado para a cúpula do G7 em Paris.
- O governo Lula avalia que a mudança enfraquece conexões bolsonaristas, mas não prevê reversões imediatas para foragidos da Justiça brasileira nos EUA.
Fonte: Folha de S.Paulo

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