Brasil

Relatório revela que mais de 2 mil crianças foram intoxicadas por agrotóxicos em 2025

Estudo aponta recorde de notificações de intoxicação por venenos agrícolas no Brasil, com foco na vulnerabilidade infantil e falhas na fiscalização.

Um novo levantamento da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos trouxe à tona a gravidade da exposição infantil aos agrotóxicos no Brasil. Segundo o relatório 'Exposição Silenciosa', o país registrou 2.068 casos de intoxicação em crianças de até 14 anos ao longo de 2025. Deste total, mais da metade — 1.032 ocorrências — atingiu bebês e crianças com até 4 anos de idade.

Os dados, que consolidam informações do Ministério da Saúde, indicam que 2025 teve o maior volume de notificações de intoxicação por agrotóxicos desde 2010, totalizando 11.714 registros. Especialistas alertam, contudo, que o cenário real pode ser ainda mais alarmante devido à subnotificação crônica e à dificuldade de diagnosticar danos causados pela exposição prolongada.

O estudo destaca que a contaminação ocorre por diversas vias, incluindo a ingestão de alimentos e água, o contato com o solo e o ar, e até mesmo durante a gestação ou amamentação. A situação é agravada pela concentração do uso de químicos em quatro culturas principais: soja, cana-de-açúcar, milho e algodão, que juntas respondem por 83% do volume comercializado no país.

Diante do quadro, o relatório defende medidas urgentes, como a proibição nacional da pulverização aérea e a criação de zonas de proteção ao redor de escolas e comunidades rurais. O documento também cobra que a União Europeia interrompa a exportação para o Brasil de substâncias que já são proibidas em solo europeu.

Em resumo

  • Foram 2.068 notificações de intoxicação infantil por agrotóxicos em 2025.
  • O total de notificações no país atingiu 11.714, o maior índice desde 2010.
  • Soja, cana, milho e algodão concentram 83% do uso de agrotóxicos no Brasil.
  • O relatório recomenda o banimento da pulverização aérea em todo o território nacional.

Fonte: ICL Notícias

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