Verbas federais de deputado financiam ONG com sede fantasma e histórico de polêmicas
O parlamentar Roberto Monteiro Pai direcionou milhões em emendas para instituto presidido por empresário que já foi alvo de investigações criminais por supostos vínculos com o tráfico.

Foto: Deputado Roberto Monteiro Pai, pai de Gabriel Monteiro, discursa no plenário da Câmara - O deputado federal Roberto Monteiro Pai (PL-RJ) no plenário da Câmara (Vinicius Loures/Câmara dos Deputados) · Original e licença
O Instituto Brasileiro Braço Forte (Ibraf) tornou-se o destino de R$ 4,92 milhões em verbas públicas federais entre 2024 e 2025, sendo que a maior parte desse montante, R$ 3,45 milhões, saiu diretamente dos cofres de emendas parlamentares do deputado federal Roberto Monteiro Pai (PL-RJ). A destinação dos recursos, voltados para projetos esportivos, levanta questionamentos sobre a fiscalização estatal, uma vez que a sede da entidade, localizada no Centro do Rio de Janeiro, apresenta sinais de abandono e não há clareza sobre a execução das atividades prometidas.
A organização é comandada por Henrique Hernan Mateus Oliveira, figura conhecida como Samurai. O empresário esteve no centro de uma investigação do Ministério Público em 2011, sob a suspeita de atuar em favor de familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, líder do Comando Vermelho. Na ocasião, o órgão ministerial apontou que o presidente da ONG teria auxiliado no pagamento de despesas pessoais da esposa do traficante e chegado a discutir negociações de armamento. Contudo, a Justiça absolveu o empresário em 2020, entendendo que as provas apresentadas não eram suficientes para uma condenação por lavagem de dinheiro.
A falta de transparência do Ibraf é um ponto de atenção. Relatos indicam que, ao tentar verificar o funcionamento dos projetos, não foram encontrados os núcleos de atendimento, e arquivos de prestação de contas enviados ao governo federal constavam como corrompidos. O site oficial da instituição mantém seções de balanços e parcerias com o poder público sem informações atualizadas. Questionado, o gabinete de Roberto Monteiro Pai alegou que a documentação da ONG foi validada pelo Ministério do Esporte e que o parlamentar desconhecia o passado de seu presidente antes de ser contatado pela imprensa.
Em resumo: - O deputado Roberto Monteiro Pai repassou R$ 3,45 milhões em emendas para o Ibraf. - A sede da ONG parece abandonada e não há registros públicos claros sobre a realização das aulas esportivas financiadas. - O presidente da entidade, Henrique Oliveira, foi investigado por supostas ligações com o Comando Vermelho, sendo absolvido pela Justiça em 2020.
Fonte: Revista Fórum

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.