Maioridade penal aos 18 anos é padrão na maioria das nações, aponta estudo
Levantamento internacional mostra que apenas 8 de 76 países julgam adolescentes como adultos antes dos 18 anos, reforçando o debate sobre o sistema brasileiro.

O debate sobre a redução da maioridade penal no Brasil ganha novos contornos com a divulgação de um levantamento que analisa as práticas jurídicas em 76 países. Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Child Rights International Network (CRIN), apenas oito nações estabelecem a maioridade penal abaixo dos 18 anos, sendo elas Albânia, Andorra, Armênia, Azerbaijão, Haiti, Lituânia, Polônia e Portugal.
O cenário entre as maiores economias do mundo é ainda mais claro: nenhum dos 19 integrantes do G20 analisados adota, como regra geral, o julgamento de adolescentes pelo sistema penal adulto antes da maioridade civil. No Brasil, a legislação atual fixa a maioridade aos 18 anos, enquanto o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê medidas socioeducativas para jovens a partir dos 12 anos.
O Unicef enfatiza a distinção fundamental entre a responsabilização por atos infracionais e o sistema penal adulto. A entidade alerta que o encarceramento precoce pode ser contraproducente, dificultando a reintegração social e expondo jovens a facções criminosas. Como exemplo, o órgão cita estados americanos que reverteram políticas de julgamento de adolescentes como adultos após constatarem efeitos negativos.
Em resumo
- Apenas 8 dos 76 países pesquisados adotam maioridade penal inferior a 18 anos.
- Nenhum país do G20 analisado julga adolescentes como adultos antes dos 18 anos como regra.
- O Comitê dos Direitos da Criança da ONU recomenda que a responsabilização ocorra em sistemas especializados, com idade mínima de 14 anos.
Fonte: ICL Notícias

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