Política · Justiça

O ódio nas redes: parlamentares e empresários promovem caça a eleitores de Lula

O Brasil enfrenta uma onda de assédio eleitoral em 2026, com denúncias ao MPT crescendo quase 50% após o segundo turno das eleições.

Foto: Ilustração sobre redes sociais e boicotes eleitorais. Foto: Reprodução · Original e licença

O cenário político brasileiro pós-eleições de 2026 tem sido marcado por uma ofensiva preocupante de perseguição ideológica. Diferente de pleitos anteriores, o que se observa agora é uma articulação coordenada por influenciadores, empresários e parlamentares que utilizam as redes sociais para incitar o boicote a empresas e a demissão de trabalhadores que declararam voto no presidente Lula.

Segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), o assédio eleitoral disparou. Em apenas duas semanas após o segundo turno, o órgão contabilizou 5.018 denúncias, um salto de 48,7% em comparação ao mesmo período de 2022. Para a procuradora Geny Helena Barroso Marques, da Associação Nacional dos Procuradores e das Procuradoras do Trabalho (ANPT), a prática é inaceitável: "O resultado da urna não pode autorizar ninguém a transformar o emprego em instrumento de vingança política".

A lista de figuras públicas envolvidas na promoção dessas retaliações inclui nomes como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que defendeu publicamente o boicote comercial, e a deputada estadual Índia Armelau (PL-RJ), que sugeriu a empresários que conferissem as redes sociais de funcionários para identificar eleitores do PT. O deputado Guilherme Kilter (Novo-PR) também foi alvo de ação do MPT após incentivar o movimento "demita um petista".

A Justiça do Trabalho tem atuado para conter a escalada de ódio. Em São Paulo, uma decisão judicial determinou que a Meta remova conteúdos que incentivem a vigilância e a punição de trabalhadores por convicções políticas. Especialistas em Direito Público, como a professora Wanise Cabral Silva, da UFF, alertam que a criação de listas de boicote remete a práticas sombrias da história, como as perseguições na Alemanha nazista, e reforçam que tais condutas configuram crimes de ameaça, perseguição e incitação ao crime.

Em resumo

  • O MPT registrou 5.018 denúncias de assédio eleitoral em duas semanas, um aumento de 48,7% frente a 2022.
  • Parlamentares de direita têm utilizado redes sociais para incentivar demissões e boicotes contra eleitores do governo.
  • A Justiça do Trabalho ordenou que a Meta remova conteúdos que promovam a perseguição de funcionários por motivação política.
  • Especialistas alertam que a prática configura crimes contra a organização do trabalho e ameaça, exigindo rigorosa punição.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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