Banqueiro Daniel Vorcaro ameaça jornalista após revelações sobre rombo no Banco Master
Dono do Banco Master tentou intimidar repórter do Estadão após reportagem expor relatório da CVM sobre suspeitas de gestão fraudulenta e desvios milionários.

Foto: O ex-banqueiro Daniel Vorcaro - Foto: Polícia Federal · Original e licença
O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, protagonizou uma tentativa de intimidação contra a imprensa em agosto de 2025. Após a publicação de uma reportagem do jornal Estadão que revelou indícios de crimes financeiros na instituição, Vorcaro enviou mensagens via WhatsApp ameaçando processar criminalmente o repórter responsável pela apuração.
Em diálogos obtidos pelo jornal, o banqueiro comunicou sua intenção à CEO do portal Metrópoles, Lilian Tahan. Ao ser informada sobre a ameaça de processo contra o jornalista, a executiva não prestou solidariedade ao profissional, limitando-se a comentar: "Não tem nada mais chato para o repórter que responder criminal."
A reportagem que motivou a reação de Vorcaro detalhou um relatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontando que o banco teria investido R$ 2,1 bilhões em empresas sem capacidade econômica. A suspeita é de que a manobra visava inflar artificialmente o patrimônio da instituição para viabilizar a venda de 58% de seu capital ao Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal.
Entre as irregularidades apontadas, o documento da CVM destaca o aporte de R$ 361 milhões em uma pequena clínica médica registrada em nome de uma recepcionista. Além disso, o Estadão revelou que R$ 1,2 bilhão foram destinados a empresas ligadas a Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, que também foi alvo de buscas e apreensões pela Polícia Federal.
A CVM concluiu que há indícios de gestão fraudulenta, alertando para riscos à solidez patrimonial do banco. Paralelamente, a Polícia Federal investiga a fabricação de uma reputação digital positiva para o banqueiro, que, segundo as apurações, teria participado diretamente da elaboração de respostas a questionamentos da imprensa sobre as empresas envolvidas no esquema.
Fonte: Revista Fórum

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