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Rede ligada a Trump Jr. impulsionou aposta sobre Flávio Bolsonaro com selo de conteúdo pago

Investigação aponta que plataforma de apostas bloqueada no Brasil utilizou perfis estrangeiros e links rastreáveis para inflar cotação eleitoral de Flávio Bolsonaro.

Foto: Polymarket - À tribuna, em discurso, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Carlos Moura/Agência Senado · Original e licença

Uma operação coordenada nas redes sociais, envolvendo uma casa de apostas bloqueada no Brasil, colocou sob suspeita a manipulação de percepção eleitoral em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL). Em 20 de setembro, a plataforma Polymarket — que recebeu investimentos de um fundo ligado a Donald Trump Jr. — anunciou que o parlamentar teria atingido 58% de chance de vitória, um índice que a empresa classificou como "a maior de todos os tempos".

A cotação, no entanto, não reflete pesquisas de intenção de voto, mas apenas o volume de apostas na plataforma. Segundo apuração da Revista Fórum, o link divulgado pela empresa continha um código de rastreamento, sugerindo uma estratégia de monetização por indicação. Logo após o anúncio, uma série de perfis estrangeiros, incluindo o do ex-deputado americano Matt Gaetz e o portal UHN Plus, replicaram o dado exibindo o selo de "parceria paga" do X, sem, contudo, identificar os financiadores da publicidade.

A movimentação chamou a atenção das autoridades brasileiras. O Partido Missão apresentou uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o X, citando cinco perfis estrangeiros que participaram da sequência de postagens. O caso é relatado pelo ministro André Mendonça. Além disso, a Secretaria de Prêmios e Apostas determinou, em setembro, a derrubada do perfil da Polymarket no Instagram, visto que a empresa opera sem autorização no país e está bloqueada pelo Ministério da Fazenda e pela Anatel desde abril de 2026.

A rede de influenciadores envolvida possui conexões com figuras da extrema-direita global. O portal UHN Plus, por exemplo, é associado ao espanhol Javier Negre, que mantém laços com o marqueteiro Fernando Cerimedo, conhecido por disseminar desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro. A legislação eleitoral brasileira, por meio da Lei 9.504/1997, impõe restrições severas à propaganda paga na internet e proíbe expressamente o auxílio de entidades estrangeiras a campanhas de candidatos no Brasil.

Fonte: Revista Fórum

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