Documentos revelam elo financeiro entre campanha de Israel e empresa ligada a marqueteiro de Bolsonaro
Registros do Departamento de Justiça dos EUA mostram repasses de US$ 136 mil da empresa de Brad Parscale para a EyesOver, representada por Fernando Cerimedo.

Foto: Bolsonarismo nas Redes; Flavio,, Eduardo e Cerimedo - Imagem Ilustrativa feita por Inteligencia Artificial. · Original e licença
Documentos oficiais entregues ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam que a empresa EyesOver, representada na América Latina pelo marqueteiro argentino Fernando Cerimedo — aliado próximo do clã Bolsonaro —, recebeu US$ 136 mil de uma campanha contratada pelo governo de Israel. Os repasses foram realizados pela Clock Tower X, agência digital de Brad Parscale, ex-estrategista de Donald Trump.
Segundo os registros da FARA (lei que regula o registro de agentes estrangeiros), a Clock Tower X recebeu US$ 15 milhões entre outubro de 2025 e março de 2026 para executar uma campanha online contra o antissemitismo nos EUA. Dentro desse montante, a empresa de Parscale efetuou três pagamentos à EyesOver sob a rubrica de "análise de sentimento": US$ 100 mil em outubro de 2025, e duas parcelas de US$ 18 mil, em fevereiro e março de 2026.
A conexão ganha contornos políticos devido à proximidade de Cerimedo com a família Bolsonaro. Apenas cinco dias após o segundo pagamento da Clock Tower X, em 10 de fevereiro de 2026, o deputado Eduardo Bolsonaro premiou o marqueteiro em um evento em Mar-a-Lago. Na ocasião, Cerimedo agradeceu publicamente a Parscale por lhe fornecer sua tecnologia. O marqueteiro, que já foi apontado como peça-chave na comunicação digital de aliados brasileiros, está atualmente em prisão preventiva na Bolívia, acusado de tentativa de feminicídio e enriquecimento ilícito.
Embora os documentos americanos detalhem o fluxo financeiro para a EyesOver, não há evidências nos registros de que esses recursos específicos tenham sido utilizados em campanhas eleitorais no Brasil ou que tenham beneficiado diretamente o senador Flávio Bolsonaro. A legislação eleitoral brasileira veda o recebimento de auxílio de entidades ou governos estrangeiros, e a existência dos pagamentos nos EUA, por si só, não comprova irregularidades em território nacional.
Fonte: Revista Fórum

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