A manobra bolsonarista: como a direita planeja esvaziar a conquista do fim da escala 6x1
Enquanto o Senado aprova o fim da escala 6x1, aliados de Flávio Bolsonaro articulam propostas que podem precarizar o trabalho e reduzir a renda real.

Foto: Flávio Bolsonaro Crédito: Reuters · Original e licença
A recente aprovação pelo Senado, em 14 de outubro, do fim da escala 6x1 — com a garantia de dois dias de descanso sem redução salarial — é celebrada como uma vitória histórica. No entanto, nos bastidores do Congresso, o bolsonarismo já articula uma estratégia para neutralizar esse avanço. A preocupação é que, embora o descanso seja mantido na lei, novas modalidades contratuais corroam a renda e a estabilidade do trabalhador.
O foco da oposição está na PEC 12/2026, de autoria do senador Rogério Marinho e subscrita por Flávio Bolsonaro. A proposta defende a remuneração por horas efetivamente trabalhadas e a prevalência do contrato individual sobre as negociações coletivas. Na prática, isso permitiria que empresas ajustassem seus custos ao movimento do mercado, transferindo o risco econômico para o trabalhador, que poderia ver seu salário mensal minguar conforme a demanda do empregador.
O histórico de Marinho, relator da reforma trabalhista de 2017, serve de alerta. Dados do DIEESE revelam que, ao final de 2025, quase metade dos contratos intermitentes (49,5%) não gerou qualquer rendimento ao trabalhador. Em muitos casos, a remuneração média mensal ficou abaixo do salário mínimo, evidenciando que a proteção formal, sem a garantia de horas de trabalho, torna-se ineficaz para a sobrevivência.
Com uma base parlamentar robusta projetada para 2027, o PL e seus aliados buscam viabilizar uma agenda de flexibilização que pode transformar o descanso semanal em um direito meramente nominal. O risco é a criação de um cenário onde, para compensar a falta de renda, o trabalhador seja forçado a acumular múltiplos vínculos, resultando em uma jornada exaustiva de '7x7' na prática, mesmo com a folga garantida na Constituição.
A disputa, portanto, transcende a escala semanal e toca no modelo de desenvolvimento do país. Enquanto a esquerda defende que o ganho de produtividade deve se traduzir em tempo livre e qualidade de vida, a agenda bolsonarista aposta no barateamento da mão de obra como motor econômico, mantendo o trabalhador em um estado de precariedade permanente.
Fonte: Brasil 247

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