É possível que candidaturas laranja tenham gerado dinheiro ilegal para a campanha de Bolsonaro

Portal Plantão Brasil
14/2/2019 20:41

É possível que candidaturas laranja tenham gerado dinheiro ilegal para a campanha de Bolsonaro

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Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia - Ao morder Bebbiano, o ministro das laranjas, taxando-o de mentiroso em praça pública, o filho-pitbull deixou o pai numa sinuca de bico. O duelo está marcado para hoje. Bebbiano diz que não se demite e vai se encontrar com o presidente logo mais. A metralhadora está com Bolsonaro.







Se o capitão abate o ministro, preserva o seu discurso de combate à corrupção, mas corre o risco de ganhar um desafeto poderoso, que tem a caixa-preta da campanha presidencial. Bebbiano pode sair atirando. E tem bala na agulha.







Se não o demite, fragiliza sua posição de defensor da ética e da moralidade e coloca todo o PSL no balaio das laranjas.



Agora, se Bebbiano não for demitido nem se demitir, será o primeiro pato manco do governo, porque a investigação da Polícia Federal já começou e será uma espada de Dâmocles sobre a sua cabeça enquanto continuar no Planalto.



Impressiona a semelhança entre os esquemas de rachadinhas na Alerj e das candidatas-laranja do PSL em Minas Gerais e Pernambuco, embora tenham acontecido em outras épocas e a quilômetros de distância.



O princípio é o mesmo: eu te dou uma grana, você não precisa fazer nada e depois me devolve a maior parte. Não tem outra forma mais fácil de ganhar um extra sem fazer força.



No caso carioca, funcionários do então deputado estadual Flávio Bolsonaro depositavam valores na conta de outro funcionário do gabinete, mas funcionário máster: o ex-PM e segurança do deputado – o já célebre Fabrício Queiróz. Da conta dele esse dinheiro também saía rapidamente, mas não se conhece o beneficiário até agora.



No caso de Minas Gerais e de Pernambuco, assessores ou pessoas de confiança de dirigentes do PSL receberam verbas do fundo partidário para supostamente se candidatarem, contanto que as gastassem em gráficas apontadas pelos chefes. Mas o dinheiro não foi gasto nas gráficas. Seu destino final permanece oculto.



O que a Polícia Federal tem que investigar, se tiver carta branca é: 1) qual é a verdadeira extensão do escândalo? e 2) se o dinheiro do fundo partidário não foi gasto em gráficas, aonde foi parar?



Terá irrigado a campanha presidencial? É uma dúvida pertinente, já que Bebbiano era o coordenador nacional da campanha de Bolsonaro e responsável pelos repasses.



Oficialmente, Bolsonaro recebeu R$ 900 mil, enquanto Luciano Bivar, candidato a deputado federal, ficou com o dobro: R$1,8 milhão.



Como Bolsonaro já demonstrou fartamente que não rasga dinheiro é difícil acreditar que tenha aceito pacificamente essa desproporcionalidade acachapante.



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