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A Polícia Federal (PF) colocou sob a lupa um esquema sofisticado de captura do Legislativo pelo poder econômico. O alvo principal é o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado por supostamente redigir propostas de lei e emendas parlamentares que beneficiam diretamente seus negócios nos setores de crédito de carbono, transição energética e mercado financeiro. A operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, revela como minutas de projetos teriam circulado entre a residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e as mãos de Vorcaro para "revisão" antes de virarem propostas oficiais no Congresso Nacional.
Um dos pontos mais escandalosos da investigação envolve a criação de um "mercado cativo" bilionário. Uma emenda apresentada pelo atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), obrigou entidades de previdência privada e seguradoras a investirem parte de suas reservas em créditos de carbono. A PF suspeita que a medida foi desenhada para favorecer a Golden Green Participações, empresa ligada à estrutura de Vorcaro. Especialistas apontam que a canetada pode drenar até R$ 9 bilhões por ano para um setor controlado por poucos, forçando investimentos em um mercado que ainda não tem capacidade de absorver esse montante de forma transparente.
Além do mercado de carbono, a influência de Vorcaro teria alcançado o Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten) e até tentativas de alterar as regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em mensagens obtidas pela PF, o empresário teria comemorado a apresentação de uma emenda por Ciro Nogueira que reproduzia integralmente um texto elaborado por sua assessoria: "Saiu exatamente como mandei". Embora os parlamentares neguem irregularidades e defendam o "ato de legislar", os investigadores veem indícios de que o interesse público foi rifado em troca de benefícios para o sistema financeiro.
Para o campo progressista e defensores da ética pública, o caso reforça a urgência de mecanismos mais rígidos contra o lobby predatório que transforma o Congresso em um balcão de negócios. Enquanto o governo Lula busca uma transição ecológica justa e soberana, a investigação da PF mostra que setores da extrema-direita e do sistema financeiro tentam se apropriar da pauta ambiental para criar monopólios e garantir lucros fáceis às custas das reservas de previdência do povo brasileiro. O desdobramento das investigações promete abalar as estruturas de poder em Brasília, atingindo figuras centrais do chamado "Centrão".
Com informações do jornal O Globo
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