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A Polícia Federal desmascarou uma engrenagem criminosa de alta plumagem no coração do sistema financeiro nacional. Relatórios da Operação Miragem apontam que o Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo e sua esposa Ester Bezerra, replicou as mesmíssimas manobras fraudulentas atribuídas ao Banco Master. A estratégia consistia na superavaliação escandalosa de ativos e na emissão de títulos com rentabilidade totalmente incompatível com a realidade do mercado. De acordo com as investigações publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, a cúpula do banco inflou artificialmente seus balanços para forjar uma falsa solidez contábil, abusando da fé pública e se valendo da confiança dos depositantes na proteção institucional do Fundo Garantidor de Créditos para salvaguardar os patrimônios pessoais dos próprios administradores.
A gravidade do colapso gerado pela gestão temerária e fraudulenta culminou em um patrimônio líquido a descoberto na ordem de bilhões de reais no início de dois mil e vinte e seis. Sem qualquer liquidez para honrar os compromissos firmados e na iminência de uma liquidação decretada pelo Banco Central, Edir Macedo costurou a toque de caixa a venda do controle societário da instituição ao BTG Pactual. No entanto, os federais revelam que a transação foi inteiramente condicionada a um aporte estrutural bilionário por parte do FGC. O montante exigido para cobrir o rombo do Digimais e viabilizar o negócio atinge a impressionante cifra de sete bilhões de reais, o que a Polícia Federal classificou textualmente como uma escancarada terceirização do ônus financeiro e a concretização da transferência do risco inerente à atividade bancária para o sistema de proteção, isolando os causadores da insolvência de suas obrigações legais.
O histórico de irregularidades ganhou tração após a derrocada do Banco Master, quando fiscais identificaram uma exposição de aproximadamente seiscentos milhões de reais do Digimais em carteiras de crédito podres daquela instituição. Além disso, auditorias do Banco Central que embasaram o indiciamento no Ministério Público Federal detectaram um esquema grosseiro de maquiagem contábil envolvendo fundos de investimento. Em um dos casos mais explícitos, cotas atreladas a direitos creditórios de uma disputa judicial da Família Villela, adquiridas por apenas setenta e um milhões de reais, foram infladas sucessivas vezes por meio de pareceres jurídicos sob encomenda até serem registradas no balanço patrimonial do Digimais pelo valor absurdo de setecentos e quarenta e um milhões de reais, gerando receitas puramente fictícias.
Ao ser flagrado pela fiscalização da autarquia, que determinou a imediata reversão dos valores inflados para o custo original de aquisição, o banco simulou um contrato de compra e venda fictício com a sua própria controladora, a B.A. Empreendimentos e Participações. A manobra buscou burlar a ordem do órgão regulador e manteve os valores inflados registrados como uma promessa de recebimento para o ano de dois mil e trinta e dois, sem que nenhum centavo entrasse efetivamente no caixa. A Polícia Federal concluiu que essa operação configurou um financiamento ilegal ao controlador, extrapolando em quase setecentos milhões de reais o limite normativo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. Diante do emaranhado de fraudes e da insistência em ludibriar o Banco Central, as autoridades enquadraram a diretoria e os controladores nos crimes de gestão fraudulenta, desvio de finalidade e empréstimo vedado, crimes gravíssimos previstos na Lei dos Crimes do Colarinho Branco.
Com informações do jornal O Estado de São Paulo
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