Convictos da impunidade, garimpeiros contaminam meio ambiente com mercúrio, dentro e fora da Amazônia.

Portal Plantão Brasil
13/12/2021 16:06

Convictos da impunidade, garimpeiros contaminam meio ambiente com mercúrio, dentro e fora da Amazônia.

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443 visitas - Fonte: Brasil de Fato

Segundo Jansen Zuanon, apesar de pesquisas que analisam os efeitos do mercúrio do garimpo nos peixes ainda serem raras, é possível afirmar por meio de estudos experimentais quais seriam essas reações. “Diminui a capacidade reprodutiva, causa alterações neurológicas que afetam o comportamento dos peixes que podem fazer com que algumas espécies não consigam fugir dos predadores ou tenham uma taxa de mortalidade maior do que a normal”, disse.



A grande quantidade de balsas concentradas e as dragas acaba por “jogar aqueles montes de lamas e seixos que vão formando pequenas montanhas que chamam de ‘arrotos de draga’. Isso descaracteriza o fundo do rio e afeta negativamente tanto os peixes quanto outros seres aquáticos, e esse é o tipo de efeito mais permanente”, alerta Zuanon.

Antes mesmo de uma operação da Polícia Federal, que resultou na destruição de algumas dezenas de balsas, a maioria já havia se dispersado pelo rio Madeira. É comum que as balsas fiquem se locomovendo para outras áreas do rio.



Apesar de ser um risco que pode afetar todos que se alimentam de peixes, quem está mais próximo das áreas de garimpo são os que sofrem mais. “Os garimpeiros manuseiam o mercúrio manualmente, que entra em contato com a pele a partir do ponto onde é feito a queima. Esse vapor pode ser respirado por quem está fazendo a queima. A outra forma é pelo consumo, o organismo vai acumulando o mercúrio, principalmente peixes e outros animais que comem peixe, aí que entra um impacto muito maior”, diz o biólogo e também pesquisador do Inpa, Eloy Guillermo.

Muitos casos de contaminação por mercúrio do garimpo podem estar sendo subnotificados em postos de saúde, por falta de profissionais habilitados, como toxicologistas, para realizar essa identificação. Além disso, os sintomas da contaminação podem aparecer a curto ou a longo prazo, já que ao entrar no organismo ele se acumula no tecido, nos músculos ou nos ossos.



O geógrafo e mestre em ecologia Carlos Durigan acrescenta que a contaminação pode chegar ao sistema nervoso, fígado, tireóide, que normalmente são associados a um outro problema existente. “Uma contaminação crônica que vai afetando a saúde, até hoje a ciência não sabe ao certo todos os efeitos, os estudos de contaminação são relativamente recentes”, afirma.

Para os especialistas ouvidos pela Amazônia Real, o garimpo não prejudica apenas o meio ambiente, é um trabalho que não segue nenhuma regulamentação, e que precisa ser interrompido imediatamente, como afirma Carlos Durigan. “É uma atividade que tem que ser banida. Para explorar o ouro na Amazônia, temos que recomeçar do zero, construir uma nova agenda e discutir com especialistas para promover alguns estudos para ver se é viável, possível”, afirma, alertando que atualmente ainda não existe nenhum modelo de exploração de ouro na Amazônia de forma sustentável.



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