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Pesquisa Exame/Ideia divulgada hoje revela que a soma dos votos de pesquisa espontânea para Lula e Jair Bolsonaro chega a 58%, sendo 36% para o petista e 22% para o presidente.
Isso indica que, a oito meses da eleição presidencial, mais da metade dos brasileiros já decidiu que votará no petista ou no ex-capitão e dificilmente mudará de opinião —a pesquisa espontânea, feita sem apresentar ao entrevistado nomes de candidatos, indica o chamado "voto consolidado".
"Isso nunca havia acontecido no Brasil. Somando os principais candidatos com os da chamada terceira via, o total de votação espontânea chega perto de 70%, um índice nunca atingido antes nesta época do ano eleitoral", afirma Maurício Moura, fundador do instituto Ideia, de pesquisa de opinião pública.
Segundo Moura, o fato inédito de grande parte do eleitorado parecer ter escolhido o seu candidato antes mesmo do início da campanha está ligado a outro fato sem precedentes na política brasileira: o de esta eleição ter como favoritos um presidente e um ex-presidente da República — ambos, portanto, fartamente conhecidos do eleitor (ou com grande "recall", como se diz no jargão das pesquisas).
Já no terreno das consequências, a que primeiro surge da aparente consolidação dos votos de Lula e Bolsonaro é o aumento da dificuldade de os demais concorrentes abrirem a picada da terceira via. "O espaço de convencimento do eleitor é muito pequeno hoje", afirma Moura. Na pesquisa Exame/Ideia, o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) aparece com 5% das intenções de voto espontâneas; Ciro Gomes (PDT) vem em seguida, com 3%, e os demais ficam abaixo de 0,5%.
Até a semana passada, a expectativa de institutos de pesquisa como o Ideia era de que o cenário eleitoral permanecesse praticamente inalterado durante todo o primeiro semestre do ano, com Bolsonaro oscilando para cima na medida em que fosse colhendo os dividendos eleitorais do Auxílio Brasil e da aguardada melhora da economia.
Mas a invasão da Ucrânia pela Rússia, o segundo maior exportador de petróleo do mundo, introduziu uma variável nova e altamente preocupante para o governo, que já via na elevação do preço dos combustíveis — e seu efeito sobre a inflação— a principal ameaça à popularidade do ex-capitão.
Desde o início do governo, Bolsonaro conviveu com ao menos duas crises que ele não provocou: a pandemia de coronavírus e a crise hídrica. Fracassou na peste, mas escapou da seca — agora terá que se ver com a guerra.
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