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Relatórios de inteligência enviados pelas Polícias Militar, Civil e Federal e pelo Ministério Público nos estados ao Supremo Tribunal Federal (STF) apontaram a participação de políticos, empresários e fazendeiros na organização e financiamento dos protestos golpistas que acontecem em frente a quartéis do Exército e em estradas federais.
No Rio Grande do Sul (RS), aparecem nomes de políticos, servidores públicos e pessoas anônimas com passagens pela polícia. Nos relatórios, 28 pessoas foram apontadas como lideranças de atos apenas em municípios da Serra Gaúcha. Já a Polícia Civil cita sete pessoas que teriam participado de atos ou incentivado manifestações golpistas nas redes sociais.
Pessoas anônimas
Em Porto Alegre, a Brigada Militar identificou um caminhão utilizado em bloqueios como de propriedade de uma mulher com antecedentes por falsificação, corrupção, e porte ilegal de arma restrita. Um homem com passagens por porte ilegal de arma de fogo, ameaça e lesão corporal foi identificado como sendo o dono de um carro bloqueava uma das vias próximas à capital gaúcha.
Um homem que, na adolescência, foi fichado por atos infracionais de posse de entorpecente e furto também teve o veículo identificado no local. Outro homem respondeu por ocorrências de lesão, ameaça, dano e violação de domicílio, diz o G1.
Em Jaguarão, um dos organizadores de bloqueio, segundo a BM, é um homem com passagens por maus-tratos e homicídio culposo no trânsito. Em Santo Antônio da Patrulha, cidade do Litoral Norte, um dos líderes dos atos é um homem com passagens na polícia por ameaça, injúria e difamação, além de duas ocorrências identificadas como “fato atípico”, quando a lei não tipifica o ocorrido como crime.
Políticos e policiais
Um dos líderes apontados pelos documentos da Polícia Civil e Brigada Militar é o deputado estadual Tenente Coronel Zucco (Republicanos), eleito para a Câmara dos Deputados nas eleições de 2022 com a maior votação no estado.
Mariana Lescano (PP), candidata derrotada a uma cadeira na Assembleia Legislativa do estado, também é mencionada no relatório de inteligência. Segundo a Polícia Civil, ela “apresenta imagens na localidade do CMS com incentivo e convocando a presença do povo para a região”.
“Fui pega de surpresa, em razão de eu ser uma cidadã comum exercendo meu direito constitucional de me manifestar pacífica e ordeiramente sobre dúvidas e questionamentos em relações às instituições de estado”, disse. A servidora pública ainda negou ter papel de liderança nos atos, apesar de fazer diversas publicações nos atos.
