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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou o ex-presidente Jair Bolsonaro a se submeter a um tratamento de estímulo elétrico craniano enquanto cumpre pena em Brasília. A informação foi publicada pelo jornal O Globo. Segundo a defesa, o procedimento tem como objetivo aliviar crises de soluço, além de tratar sintomas de ansiedade, depressão e distúrbios do sono. A decisão permite que o médico Ricardo Caiado tenha acesso ao local onde Bolsonaro está custodiado três vezes por semana para realizar as sessões.
No despacho, Moraes detalhou as condições da autorização: "AUTORIZO o ingresso do médico Ricardo Caiado nas dependências da carceragem na qual o apenado JAIR MESSIAS BOLSONARO encontra-se custodiado, três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras às 19 horas, podendo o profissional portar o aparelho utilizado para a aplicação do Estímulo Elétrico Craniano, tais como clipes auriculares bilaterais necessários ao procedimento, devidamente vistoriados pelo estabelecimento", escreveu o ministro.
Bolsonaro está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, em Brasília. Ele foi transferido para a unidade em janeiro, após articulação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), junto ao Supremo. Na petição apresentada ao STF, os advogados explicaram que o tratamento promove a "regulação funcional da atividade neurofisiológica central" por meio da aplicação de estímulos com "clipes auriculares bilaterais", enquanto o paciente permanece "em repouso consciente". Ainda segundo a defesa, foi possível documentar "melhoras perceptíveis" no quadro clínico do ex-presidente, especialmente no "sono, ansiedade, depressão e no quadro de soluços". Os advogados sustentam que o tratamento deve ser realizado de forma contínua e sem prazo determinado para encerramento.
Bolsonaro foi condenado pelo STF a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Neste domingo, ele divulgou uma carta manuscrita direcionada a aliados e apoiadores, na qual defende Michelle Bolsonaro e pede união no campo conservador. A existência do documento foi revelada inicialmente pelo portal Metrópoles e confirmada por O Globo. No texto, escrito de dentro da prisão, Bolsonaro afirma: "Dirijo-me a todos que comungam conosco dos mesmos valores — Deus, pátria, família e liberdade — para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa". A declaração ocorre em meio a divergências internas sobre estratégias eleitorais e disputas por espaços políticos, incluindo vagas ao Senado. O ex-presidente também afirma que pediu à esposa que se envolva nas articulações políticas apenas após março de 2026, em meio às discussões sobre a reorganização da direita para as próximas eleições.
Com informações do jornal O Globo
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