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A hipocrisia do clã Bolsonaro ganhou um novo capítulo bizarro com a escolha dos chefes jurídicos para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Os advogados Tracy Reinaldet e Maria Claudia Bucchianeri, agora contratados para blindar o filho "01", são os mesmos que, em 2020, assinaram um manifesto contundente chamando Jair Bolsonaro de genocida. No documento intitulado "Basta!", os juristas acusaram o então presidente de agir criminosamente para arruinar a democracia e de atentar contra a saúde dos brasileiros durante a pandemia, demonstrando uma total incapacidade de compaixão com o sofrimento do povo.
O manifesto, publicado nos maiores jornais do país, foi uma reação direta ao autoritarismo de Jair Bolsonaro, que na época desafiava o STF e se recusava a cumprir decisões judiciais, chegando a dizer que "ninguém pegaria seu telefone". Para os atuais defensores de Flávio, o pai de seu cliente "afundou o Brasil em um abismo" e se portava como se fosse a própria Constituição. A guinada ideológica dos advogados — que agora aceitam dinheiro da família que classificaram como uma ameaça civilizatória — revela o puro pragmatismo que move os bastidores do bolsonarismo.
Além de detonar o patriarca da família, Tracy Reinaldet também possui um histórico que deve causar calafrios nos apoiadores mais radicais da extrema direita. Em 2023, o advogado afirmou publicamente que o presidente Lula foi condenado injustamente e sem provas pela Operação Lava Jato. Segundo o novo coordenador jurídico de Flávio, Sergio Moro agiu de forma parcial apenas para retirar Lula da disputa eleitoral e garantir um cargo de ministro no governo Bolsonaro. É uma ironia deliciosa ver um defensor da inocência de Lula agora chefiando o time jurídico do filho do maior rival do petista.
O documento assinado pelos advogados é um dos ataques mais pesados já registrados por juristas contra a gestão anterior. Eles pediam que a sociedade fosse "intolerante com os intolerantes" e classificavam o governo Bolsonaro como uma "noite de terror". Ao contratar profissionais que o chamaram de genocida e golpista, Flávio Bolsonaro mostra que, na busca pelo poder em 2026, a coerência é o primeiro valor a ser descartado, enquanto o "time jurídico" prova que as convicções democráticas de ontem têm preço no mercado de hoje.

Essa aliança bizarra entre críticos ferozes e a família Bolsonaro expõe a fragilidade do discurso moralista da direita. Como Flávio explicará aos seus eleitores que seus advogados acreditam que seu pai é um assassino em massa e que seu maior inimigo político, o presidente Lula, foi vítima de uma perseguição judicial? O "Basta!" de 2020 virou um "Aceito!" em 2026, confirmando que, para o clã Bolsonaro, o que importa é a sobrevivência jurídica, mesmo que para isso precisem pagar quem os chamou de destruidores da pátria e responsáveis por um abismo social.
A situação escancara que o projeto de poder da família Bolsonaro não possui limites éticos. Ao abraçar juristas que enquadraram as ações presidenciais como crimes de responsabilidade e atentados contra o Estado de Direito, Flávio admite que a narrativa de perseguição é apenas uma ferramenta de manipulação. No fim das contas, o "capitão" e seus herdeiros estão dispostos a sentar à mesa com quem os acusou de genocídio, desde que isso garanta uma defesa técnica capaz de mantê-los relevantes no cenário político nacional, atropelando qualquer resquício de dignidade ideológica.
Leia, abaixo, a íntegra do documento em que os advogados de Flávio acusam o pai de seu cliente de tomar ações genocidas contra o povo brasileiro e de tentar arruinar os alicerces da democracia brasileira:
“Basta! O Brasil, suas instituições, seu povo não podem continuar a ser agredidos por alguém que, ungido democraticamente ao cargo de presidente da República, exerce o nobre mandato que lhe foi conferido para arruinar com os alicerces de nosso sistema democrático, atentando, a um só tempo, contra os Poderes Legislativo e Judiciário, contra o Estado de Direito, contra a saúde dos brasileiros, agindo despudoradamente, à luz do dia, incapaz de demonstrar qualquer espírito cívico ou de compaixão para com o sofrimento de tantos.
Basta! A Constituição Federal diz expressamente que são crimes de responsabilidade os atos do presidente da República que atentem contra o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação e contra o cumprimento das leis e das decisões judiciais (artigo 85, incisos II e VII).
Pois bem, o presidente da República faz de sua rotina um recorrente ataque aos Poderes da República, afronta-os sistematicamente. Agride de todas as formas os Poderes constitucionais das unidades da Federação, empenhados todos em salvar vidas.
Descumpre leis e decisões judiciais diuturnamente porque, afinal, se intitula a própria Constituição. O país é jogado ao precipício de uma crise política quando já imerso no abismo de uma pandemia que encontra no Brasil seu ambiente mais favorável, mercê de uma ação genocida do presidente da República.
Basta! Nós profissionais do direito, dos mais diferentes matizes políticos e ideológicos, os que vivem a primavera de suas carreiras, os que chegam ao outono de suas vidas profissionais, todos nós temos em comum a crença de que viver sob a égide do Direito é uma conquista civilizatória.
Todos nós temos a firme convicção de que o Direito só tem sentido quando for promotor da justiça. Todos nós acreditamos que é preciso dar um BASTA a esta noite de terror com que se está pretendendo cobrir este país. Não nos omitiremos. E temos a certeza de que os Poderes da República não se ausentarão.
Cobraremos a responsabilidade de todos os que pactuam com essa situação, na forma da lei e do direito, sejam meios de comunicação, financiadores, provedores de redes sociais. Ideias contrárias ao Estado e ao Direito não podem mais ser aceitas. Sejamos intolerantes com os intolerantes!”
Com informações do DCM
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