442 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O submundo do crime de colarinho branco e a violência política se fundiram em um roteiro de horror revelado pela Polícia Federal. Mensagens obtidas pela Operação Compliance Zero mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro, o poderoso controlador do Banco Master, teria autorizado a simulação de um assalto para agredir brutalmente o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. O plano, digno de métodos mafiosos, tinha um objetivo sádico expresso pelo próprio Vorcaro em um grupo de WhatsApp: "Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto".
A barbárie era coordenada por um núcleo de inteligência criminosa apelidado de "A Turma", chefiado por Luiz Phillipi Mourão, conhecido nas investigações pelo sugestivo apelido de "Sicário". Segundo a PF, esse grupo não se limitava apenas ao monitoramento de adversários, mas servia como um braço de intimidação física e moral a serviço dos interesses do banqueiro. As mensagens analisadas mostram que Mourão respondia com prontidão às ordens de Vorcaro, evidenciando uma estrutura hierárquica voltada para o crime e a supressão da liberdade de imprensa através do medo.
O material que escancara essa face violenta do esquema bilionário de fraudes financeiras foi extraído de celulares apreendidos, que também revelaram repasses financeiros destinados a manter essa estrutura de perseguição. Além dos ataques a jornalistas, a investigação aponta trocas de mensagens suspeitas envolvendo pagamentos e contatos com servidores do Banco Central, indicando que o grupo tentava estender seus tentáculos para dentro dos órgãos de fiscalização do Estado para garantir a impunidade de suas operações fraudulentas.

Diante da gravidade dos fatos e do risco à ordem pública, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, não hesitou em decretar a prisão preventiva de Daniel Vorcaro e de seu fiel escudeiro, o pastor Fabiano Zettel — conhecido por suas doações milionárias à campanha de Jair Bolsonaro. Também foram presos Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", e Marilson Roseno da Silva. A decisão do STF atinge o coração do esquema, suspendendo empresas de fachada e afastando servidores que estariam colaborando com a organização criminosa.
A tentativa de calar a imprensa através da violência física é uma marca característica de grupos que operam à margem da lei e que se sentiram empoderados pelo clima de intolerância dos últimos anos. A agressão planejada contra Lauro Jardim não era apenas um ataque pessoal, mas um atentado contra o direito à informação. O envolvimento de figuras ligadas ao financiamento da extrema direita nesse complô criminoso reforça a tese de que o capital financeiro sob suspeita e o autoritarismo caminham de mãos dadas para destruir quem ousa denunciar seus malfeitos.
A prisão de Vorcaro e sua "turma" é uma vitória da democracia e do jornalismo livre. O bloqueio de R$ 22 bilhões e o desmantelamento dessa rede de intimidação mostram que o Brasil está limpando as instituições de figuras que acreditavam poder comprar o silêncio e a integridade alheia com dinheiro desviado. A Polícia Federal segue cruzando os dados dos aparelhos apreendidos, e a expectativa é que novas frentes de investigação revelem outros alvos dessa milícia empresarial que transformou o setor bancário em um campo de batalha contra a verdade.
Com informações do DCM
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