Japonês da Lava Jato, condenado por contrabando, vira secretário-adjunto do PL

Portal Plantão Brasil
4/3/2026 12:11

Japonês da Lava Jato, condenado por contrabando, vira secretário-adjunto do PL

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O bolsonarismo em Cuiabá acaba de dar um cargo de destaque a uma das figuras mais folclóricas e controversas da finada Operação Lava Jato. O prefeito Abilio Brunini (PL) nomeou Newton Ishii, o "Japonês da Federal", como secretário-adjunto na administração municipal. Ishii, que ganhou fama conduzindo presos em Curitiba e virou até marchinha de Carnaval, agora terá um cargo comissionado sob as ordens de Ananias Filho, presidente estadual do PL. A ironia é gritante: o homem escolhido para atuar em iniciativas de "compliance" e articulação institucional carrega no currículo uma condenação definitiva por facilitação de contrabando.

Antes de se tornar o rosto da Lava Jato, Ishii já acumulava passagens obscuras pela história brasileira. Em revelações chocantes, ele admitiu ter trabalhado para a ditadura militar na década de 1970, atuando como infiltrado para espionar estudantes e professores em ambientes acadêmicos. Essa face de "dedo-duro" do regime autoritário combina com a estética punitivista que a extrema direita tenta resgatar, mas esconde um passado de crimes comuns que a narrativa oficial dos "heróis do combate à corrupção" sempre tentou varrer para debaixo do tapete.

A queda da máscara de paladino da justiça ocorreu com a Operação Sucuri, que revelou um esquema de propinas na fronteira com o Paraguai. Enquanto posava de guardião da lei nas telas de TV, Ishii foi condenado por facilitar a entrada de mercadorias ilegais no país mediante pagamentos que chegavam a 40 mil dólares. O escândalo rendeu a ele o apelido de "entulho da Lava Jato", especialmente após ser preso em 2016 com uma sentença definitiva de quatro anos e seis meses de prisão, além de uma multa de R$ 200 mil e a perda do cargo público.

O auge do surrealismo aconteceu quando o "Japonês da Federal" foi visto escoltando presos da Lava Jato enquanto ele mesmo utilizava uma tornozeleira eletrônica. Sem vagas no sistema prisional para o regime semiaberto, o agente condenado continuou exercendo suas funções de forma precária, tornando-se o símbolo perfeito de uma operação que atropelava ritos processuais enquanto seus próprios quadros estavam atolados em crimes. Mesmo com a aposentadoria considerada irregular pelo Tribunal de Contas da União devido a manobras na contagem de tempo, ele conseguiu se aposentar voluntariamente em 2018.

Após fracassar em tentativas de construir uma carreira eleitoral própria em partidos de direita, Ishii tentou se reinventar como palestrante motivacional e consultor de compliance — uma escolha audaciosa para quem foi expulso da polícia por corrupção. O lançamento de um livro com "bastidores" da Lava Jato foi mais uma tentativa de monetizar a fama conquistada durante o período em que o país era governado pelo ódio e pela seletividade jurídica. Agora, acolhido pela gestão Brunini, ele encontra um novo porto seguro no aparato estatal controlado pelo PL.

A nomeação de Ishii em Cuiabá é um aceno claro ao que há de mais retrógrado e hipócrita na política nacional. Ao colocar um condenado por contrabando e ex-espião da ditadura em um cargo de confiança, a prefeitura ignora os princípios básicos da moralidade administrativa. Enquanto o clã Bolsonaro e seus aliados seguem reciclando personagens desgastados da era lavajatista, o povo cuiabano assiste à entrega de cargos públicos a figuras que representam justamente o oposto da transparência e da ética que a extrema direita finge defender.

Com informações do DCM

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