283 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A teia de corrupção e privilégios que sustenta a extrema direita sofreu um abalo sísmico nesta quarta-feira (4). A Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Compliance Zero, prendendo em São Paulo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação, que já bloqueou a cifra astronômica de R$ 22 bilhões, revela um esquema de fraudes bilionárias e tentativas desesperadas de obstrução da justiça, incluindo o uso de celulares hackeados para ameaçar testemunhas e investigadores. Vorcaro, figura central desse império de papel, agora vê seus métodos criminosos expostos sob a luz do sol.
A ofensiva da PF não parou no banqueiro e atingiu em cheio seu núcleo familiar e operacional. O empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e operador do fundo Moriah Asset, também é alvo de prisão preventiva. Zettel é peça-chave na engrenagem financeira do grupo e um dos homens de confiança do dono do Banco Master. Além dele, a Polícia Federal prendeu o empresário Luiz Phillipi Mourão e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, além de mirar ex-servidores do Banco Central que estariam mancomunados com a organização criminosa para facilitar as fraudes.
No coração do escândalo está a criação de carteiras de crédito fantasmas. Segundo a PF, o grupo simulava ativos inexistentes, vendia esses títulos a outras instituições e depois os substituía por papéis sem qualquer lastro. Esse mecanismo perverso servia para ocultar rombos bilionários e sustentar um estilo de vida luxuoso às custas do sistema financeiro nacional. As investigações, iniciadas em 2024 após denúncias do Ministério Público Federal, agora avançam sobre a estrutura de comando que tentava, a todo custo, se manter acima da lei.
A queda de Vorcaro resgata conexões políticas sombrias, especialmente com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Em 2022, no auge do segundo turno, o parlamentar bolsonarista cruzou o Nordeste e Minas Gerais a bordo de um jatinho de luxo vinculado ao banqueiro para fazer campanha para Jair Bolsonaro. Enquanto o povo brasileiro lutava contra a crise, a tropa de choque do bolsonarismo voava nas asas do capital sob suspeita. Nikolas, que agora tenta se vitimizar alegando "vazamentos" para causar desgaste, usou a estrutura de uma empresa de Vorcaro para tentar garantir a permanência da extrema direita no poder.
A relação entre o banqueiro e o deputado mineiro expõe a hipocrisia do discurso de "nova política". O jatinho utilizado por Nikolas pertencia a uma empresa que também era proprietária da mansão de Vorcaro em Brasília, revelando uma rede de bens de luxo compartilhados entre sócios e fundos de investimento. Na época, Nikolas alegou desconhecer a origem da aeronave, uma desculpa conveniente para quem usufruía das benesses de um esquema que agora a Polícia Federal classifica como criminoso. A caravana “Juventude pelo Brasil” parece ter sido financiada por quem tinha muito a esconder.
Com o cerco se fechando e R$ 22 bilhões congelados pela justiça, o castelo de cartas de Vorcaro e seus aliados políticos começa a desmoronar. A Operação Compliance Zero demonstra que a blindagem que a extrema direita acreditava ter no sistema financeiro e nas instituições de segurança está sendo rompida. A prisão do banqueiro e o envolvimento direto de seu círculo íntimo em práticas de hackeamento e ameaças mostram que não havia limites para proteger os lucros ilícitos e os mandatos obtidos sob a sombra do poder econômico ilegal.
Com informações do DCM
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