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O pré-candidato à Presidência pelo partido Novo, Romeu Zema, escancarou sua visão elitista e punitivista sobre a rede de proteção social do Brasil em entrevista ao programa Canal Livre. Demonstrando profundo desprezo pela realidade das famílias que dependem de auxílio estatal para sobreviver, o ex-governador de Minas Gerais classificou os beneficiários do Bolsa Família como uma "geração de imprestáveis". Para Zema, o programa — reconhecido internacionalmente por tirar milhões da fome — serve apenas para sustentar "marmanjões" que preferem ficar em casa assistindo Netflix do que buscar ocupação formal.
A proposta de Zema para "reformar" o programa beira o autoritarismo: ele pretende obrigar os beneficiários a aceitarem qualquer vaga de emprego oferecida pelo governo, sob pena de corte imediato do auxílio após apenas duas recusas. A medida ignora variáveis básicas como distância do local de trabalho, qualificação necessária e condições de transporte, transformando o suporte social em uma ferramenta de coerção e fornecimento de mão de obra barata para o mercado. O político associou a dependência do auxílio à falta de caráter, afirmando que pais e filhos estão aprendendo a viver "às custas do governo" sem qualquer compromisso com o aprendizado.
As declarações agressivas sobre o Bolsa Família ocorrem em paralelo a outra fala que gerou repúdio nacional. No último fim de semana, Zema defendeu abertamente que crianças ajudem em atividades "mais simples", o que foi interpretado por opositores e entidades de proteção à infância como uma apologia criminosa ao trabalho infantil. Críticos como Guilherme Boulos e Rogério Correia classificaram o pré-candidato como "psicopata" e ressaltaram que o lugar de criança é na escola, não servindo como engrenagem de produtividade precoce.
Ao tentar se defender, Zema manteve a postura rígida, alegando que o trabalho forma disciplina e citando o modelo de aprendiz aos 14 anos, mas sem conseguir apagar a imagem de um gestor que vê no sofrimento e no esforço físico de crianças e pobres a única saída para a economia. A retórica de Zema, que substitui a empatia por estigmas como "vagabundagem" e "desqualificação", sinaliza uma campanha pautada no ataque frontal aos direitos conquistados e na criminalização da pobreza como estratégia de marketing político para a extrema direita.
Com informações
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