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A Polícia Federal deflagrou uma nova e contundente ação para desmantelar o submundo do crime que drena os cofres públicos do Rio de Janeiro sob a complacência de políticos da extrema direita. Os agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão contra Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e atual aposta eleitoral do senador Flávio Bolsonaro para disputar uma cadeira no Senado Federal. A investida atingiu em cheio o núcleo político fluminense, demonstrando como o grupo ligado ao bolsonarismo segue umbilicalmente associado a figuras investigadas pela Justiça.
Outro alvo central da operação é o delegado Marcus Amin, que comandou a Polícia Civil fluminense durante a turbulenta gestão do governador Cláudio Castro. Ao todo, a corporação mobilizou suas equipes para cumprir 19 mandados de busca e apreensão espalhados estrategicamente pela capital do estado e pelos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A ofensiva expõe as vísceras de uma estrutura estadual corrompida por indicações meramente políticas que enfraqueceram o aparato de segurança local.
A ação faz parte da sexta fase da Operação Unha e Carne, que tramita sob a firme relatoria do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal. O inquérito mira uma organização criminosa de alta periculosidade suspeita de utilizar redes de postos de combustíveis para branquear capitais da facção Comando Vermelho, contando com o suporte ativo de agentes públicos corruptos. Dados obtidos pelo Coaf apontam que o esquema criminoso movimentou a cifra astronômica de mais de 7,6 bilhões de reais ao longo dos últimos seis anos.
O histórico de Márcio Canella na Baixada Fluminense já acumulava episódios nebulosos, incluindo a nomeação de dois criminosos condenados por envolvimento com milícias para chefiar secretarias municipais durante seu mandato como prefeito. Mesmo com esse currículo degradante, o político foi abraçado por Flávio Bolsonaro para ser o nome da oposição extremista nas urnas. O avanço do caso também reaviva os escândalos da gestão de Marcus Amin, que assumiu a Polícia Civil em 2023 após uma forte pressão de deputados estaduais da Alerj sobre Cláudio Castro.
Após deixar o comando da polícia em setembro de 2024, Marcus Amin foi rapidamente abrigado em um cargo de coordenação de segurança na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que na época era presidida por Rodrigo Bacellar, hoje preso por envolvimento em corrupção. A simbiose entre os investigados é antiga; quando Canella era deputado estadual, fez questão de condecorar Amin com a Medalha Tiradentes, a honraria mais alta do parlamento do Rio. Até o momento, os acusados de lavagem de dinheiro e contratação ilegal não responderam aos questionamentos das autoridades.
Com informações do DCM
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