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O avanço da privatização disfarçada na rede pública de São Paulo sob a gestão do bolsonarista Tarcísio de Freitas atingiu níveis alarmantes e escancarou a incapacidade do governo estadual de zelar pelo dinheiro público. Um alerta gravíssimo emitido pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo revelou que a Secretaria Estadual da Saúde, comandada pelo secretário Eleuses Paiva, não possui estrutura adequada para fiscalizar e acompanhar o volume avassalador de contratos firmados com organizações sociais. Em 2025, a pasta entregou mais de R$ 19 bilhões a essas entidades privadas sem fins lucrativos, montante astronômico que representou 52% de todo o orçamento da saúde paulista.
O relatório do conselheiro Marco Aurélio Bertaiolli expôs a dimensão da entrega do patrimônio público promovida pela atual administração, que colocou 62 dos 102 hospitais estaduais sob o comando direto dessas gestões privadas. O raio-X do tribunal nas unidades administradas pelo terceiro setor encontrou um cenário estarrecedor de desmonte: equipamentos quebrados, medicamentos armazenados de forma irregular e até remédios vencidos, além de sujeira, graves gargalos na transferência de pacientes e prédios funcionando sem o devido Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, evidenciando a omissão do Palácio dos Bandeirantes.
A sanha privatista da extrema direita estadual provocou forte resistência da comunidade acadêmica ao tentar substituir a tradicional gestão da Unicamp no Hospital Estadual de Sumaré por uma organização social privada. A manobra no hospital, reconhecido nacionalmente pela excelência no atendimento e na formação médica, gerou protestos de estudantes e profissionais contra os riscos de precarização da assistência e do ensino. Para tentar conter o desgaste, a gestão Tarcísio negou que a mudança representasse privatização, mas os servidores mantêm o pavor com o desmantelamento das instituições públicas de saúde.
Enquanto repassa rios de dinheiro para entidades privadas, a administração paulista estrangula financeiramente a rede assistencial e acumula dívidas crônicas com hospitais filantrópicos. Apesar da propaganda do governo sobre reajustes nos repasses, representantes das Santas Casas denunciaram no Senado que o endividamento do setor ultrapassou R$ 20 bilhões, com auditorias apontando que apenas a Santa Casa de São Paulo acumulou débitos superiores a R$ 770 milhões em compromissos bancários, trabalhistas e com fornecedores.
A rotina de irregularidades e ingerência sob a gestão de Eleuses Paiva coleciona intervenções dos órgãos de controle, que precisaram suspender contratos suspeitos de organizações sociais como o CEJAM após denúncias de fraudes em licitações médicas. A crise de gestão e o descalabro financeiro provocaram ainda cobranças duras do Ministério Público contra o sucateamento e a falta de recursos no Iamspe e no Hospital do Servidor Público Estadual, deixando milhares de usuários sem assistência básica adequada.
O descaso da extrema direita com a saúde mental atingiu o auge quando o governo estadual atrasou por três meses os repasses essenciais para o CAISM Vila Mariana, sufocando a unidade de referência que dependia de R$ 1,6 milhão mensais para manter itens básicos de sobrevivência. O calote do estado deixou o centro médico sem verba para comprar insumos, remédios e até para pagar serviços primários de segurança, limpeza e transporte de emergência, revelando a face cruel de um modelo que privatiza os lucros e abandona a população no momento de maior necessidade.
Com informações do DCM
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