111 visitas - Fonte: PlantaoBrasil
A tentativa da extrema direita de abafar suspeitas e criar uma narrativa de transparência sofreu mais um baque. O perito Castelo Branco, presidente do Instituto de Perícia Investigativa e responsável pelo laudo privado sobre os custos do filme “Dark Horse” — produção voltada a exaltar a figura de Jair Bolsonaro —, admitiu publicamente que o seu trabalho possui graves limitações. Em declarações trazidas pelo jornalista Paulo Motoryn, o perito confirmou que não verificou se os valores cobrados pela produtora GoUp Entertainment condiziam com as práticas do mercado audiovisual, limitando-se a checar registros básicos sem qualquer análise comparativa de preços.
A confissão desmorona a retórica de Flávio Bolsonaro, que tentou declarar a polêmica dos US$ 23 milhões negociados com o banqueiro Daniel Vorcaro como uma "página virada". O parlamentar vinha utilizando o laudo anexado a um inquérito da Polícia Civil de São Paulo como prova de regularidade. No entanto, o próprio perito explicou que sua auditagem acompanhou apenas o primeiro nível das transações, sendo incapaz de rastrear para onde o dinheiro foi repassado após o pagamento às empresas contratadas. Na prática, o documento não impede que os recursos tenham sido desviados para terceiros em camadas posteriores.
Diante do caráter incompleto da documentação apresentada, a Polícia Federal interveio e cobrou o detalhamento integral das movimentações financeiras, incluindo notas fiscais, despesas operacionais e a discriminação de todos os fornecedores. Castelo Branco afirmou possuir papéis sobre repasses fracionados do fundo estadunidense Havengate Development LP para a produtora, mas não informou o montante total das operações. O perito declarou que aguarda orientações do delegado responsável para enviar um relatório complementar à corporação.
Buscando se distanciar do desgaste gerado pelo episódio, o responsável pela perícia negou qualquer alinhamento político com o bolsonarismo e assegurou ter atuado sob critérios exclusivamente técnicos. Ele minimizou sua participação em transmissões da mídia reacionária Revista Oeste e sua proximidade com o advogado Ricardo Sayeg, afirmando que não possui pretensões eleitorais.
O caso segue sob forte pressão das autoridades federais, enquanto a opinião pública testemunha mais uma tentativa frustrada de blindagem em torno de negócios obscuros ligados à família do ex-presidente. A exigência por transparência total sobre os milhões envolvidos no projeto cinematográfico coloca em xeque as justificativas apresentadas pelos investigados e reforça a necessidade de apuração rigorosa sobre o destino do dinheiro.
Com informações do DCM
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