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O governo do presidente boliviano Rodrigo Paz subiu o tom do autoritarismo ao admitir abertamente a intenção de declarar estado de sítio e acionar as Forças Armadas para esmagar as mobilizações populares no país. O anúncio ocorre no momento em que o Executivo prorroga por mais 90 dias o estado de emergência e formaliza um controverso acordo de US$ 1,9 bilhão com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A ameaça de repressão direta foi confirmada pelo porta-voz da Presidência, José Luis Gálvez, que indicou que a gestão está disposta a atropelar garantias constitucionais em nome da ordem.
A escalada da insatisfação popular atinge a capital La Paz, Cochabamba, Santa Cruz e outras regiões estratégicas, que enfrentam mais de 90 pontos de bloqueios promovidos por sindicatos, organizações indígenas, camponesas e educadores. A população reage ao severo aumento no preço do diesel e a medidas impulsionadas pela gestão Paz, como o Decreto Supremo 5503 — que flexibiliza investimentos estrangeiros e reduz exigências de preservação ambiental — e a Lei 1720, acusada de favorecer o latifúndio em detrimento dos pequenos produtores rurais.
Enquanto o Planalto boliviano tenta criminalizar a resistência social acusando os manifestantes de desestabilização política e desabastecimento, os movimentos operários e indígenas denunciam que o governo Rodrigo Paz impõe um cerco de exceção. A leitura dos setores populares é de que o uso do Exército e das leis emergenciais serve apenas como ferramenta de coação para implementar uma agenda econômica recessiva e atender aos interesses do mercado financeiro internacional.
Com informações do Brasil247
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