Política · Economia

Economistas de peso alertam: plano de Flávio Bolsonaro pode empurrar Brasil para recessão

Em artigo no Project Syndicate, Laura Carvalho e Joseph Stiglitz analisam riscos das propostas de corte de gastos do candidato da extrema-direita.

Foto: Crédito: Agência Brasil / Redes sociais · Original e licença

Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo dia 25 de outubro, o debate econômico ganha contornos decisivos. Em artigo publicado no portal Project Syndicate, a economista brasileira Laura Carvalho e o Nobel de Economia Joseph Stiglitz lançaram um alerta contundente sobre o projeto de governo de Flávio Bolsonaro, apontando que a proposta de cortes drásticos nos gastos públicos pode levar o país a um cenário de recessão e aumento da pobreza.

O cerne da preocupação dos especialistas reside na promessa de Bolsonaro de reduzir despesas entre 1,5% e 2% do PIB. Segundo os autores, como o orçamento federal é majoritariamente composto por gastos obrigatórios em áreas como previdência, saúde e educação, tais cortes seriam inevitavelmente sentidos pela população mais vulnerável. A análise projeta que uma redução de 1,5% do PIB em gastos sociais poderia resultar em uma queda de 2,7% no crescimento já no primeiro ano, desencadeando uma espiral negativa na economia.

Os economistas traçam um paralelo direto com o histórico da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando que o Brasil conseguiu conciliar crescimento e justiça social nos últimos quatro anos. Dados citados no artigo mostram que o PIB avançou 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024, enquanto a taxa de desemprego caiu para 5,3% em 2026. Além disso, o Bolsa Família foi responsável por retirar 6,1 milhões de pessoas da miséria, em um período onde a inflação recuou significativamente.

Para Carvalho e Stiglitz, a estratégia de Bolsonaro ignora as causas reais da dívida pública, que estaria mais ligada a fatores como a taxa Selic e a volatilidade cambial do que ao déficit primário. Ao comparar o candidato a figuras como o presidente argentino Javier Milei, os especialistas reforçam que a proposta de cortes de impostos e gastos pode agravar a desigualdade e desestabilizar o país. O texto conclui que o pleito de domingo representa uma escolha clara: manter o caminho de desenvolvimento atual ou arriscar um retrocesso econômico severo.

Fonte: Brasil 247

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