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Paraguai mira IA e usa energia de Itaipu para atrair capital dos Estados Unidos

Governo de Santiago Peña fecha parceria com empresa americana para centro de dados, enquanto negociações sobre o futuro da usina binacional com o Brasil seguem travadas.

Foto: Santiago Peña, presidente do Paraguai, e Teresa Carlson, diretora da Anthropic Crédito: Redes sociais / Santiago Peña · Original e licença

O governo paraguaio deu um passo decisivo para tentar transformar o país em um polo de tecnologia e inteligência artificial. A gestão de Santiago Peña oficializou uma aliança entre a companhia americana Crusoe e a paraguaia Araico. O objetivo é erguer um complexo de computação de alto desempenho que será alimentado diretamente pela energia da usina hidrelétrica de Itaipu.

A oficialização desse movimento aconteceu logo após a passagem do vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, pelo Paraguai, em uma agenda realizada entre 19 e 21 de outubro. A previsão é que o centro de dados comece a funcionar em meados de 2027, prestando serviços de nuvem para o mercado americano e latino-americano. Contudo, o governo paraguaio ainda mantém sob sigilo os valores envolvidos, o montante de energia que será drenado da usina e os detalhes contratuais do fornecimento.

O presidente Santiago Peña tem buscado vender a imagem do Paraguai como um destino estratégico para a nova economia digital. Em paralelo ao anúncio, o mandatário relatou ter conversado com a diretora global da Anthropic, Teresa Carlson, sobre como o país pode se beneficiar da inteligência artificial em áreas como agricultura, saúde e gestão pública. O projeto Yguazú Digital, que conta com apoio de Taiwan, também foi apresentado como parte dessa vitrine tecnológica.

A manobra ocorre em um momento de tensão diplomática, já que as conversas sobre o Anexo C do Tratado de Itaipu estão estagnadas há meses. A diretoria brasileira da usina binacional pontuou que não teve qualquer participação na recepção da comitiva americana, ressaltando que o Paraguai agiu por conta própria. Enquanto o Brasil e o Paraguai ainda buscam um consenso sobre as regras de comercialização da energia excedente, o governo paraguaio tenta, na prática, mudar sua posição de simples exportador de eletricidade para fornecedor de infraestrutura digital.

Em resumo: - O Paraguai fechou parceria com a empresa Crusoe para criar um centro de computação de alto desempenho usando energia de Itaipu. - O projeto tem previsão de início para 2027, mas detalhes sobre custos e consumo de energia seguem sem divulgação. - A diretoria brasileira de Itaipu afirmou não ter participado das tratativas com a delegação dos EUA. - O anúncio acontece em meio à paralisia das negociações sobre o Anexo C do Tratado de Itaipu entre Brasil e Paraguai.

Fonte: Brasil 247

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