Confide: o aplicativo de mensagens que virou ferramenta de sigilo no submundo do crime
Conheça o funcionamento do Confide, aplicativo de mensagens autodestrutíveis que se tornou o preferido de investigados em casos de grande repercussão no Brasil.

Foto: - Divulgação/MPRJ · Original e licença
O aplicativo Confide, desenvolvido em 2014 por especialistas em tecnologia de Nova York, tornou-se um dos principais alvos de atenção de investigadores brasileiros. A plataforma, que prioriza o anonimato absoluto, é desenhada para não deixar rastros: utiliza criptografia de ponta a ponta, mensagens que se autodestroem após a leitura e uma tecnologia patenteada que impede a realização de capturas de tela.
O funcionamento da ferramenta é peculiar. Para visualizar o conteúdo, o usuário precisa deslizar o dedo sobre a tela, revelando o texto linha por linha. Assim que a leitura é concluída, a mensagem desaparece permanentemente dos servidores e do dispositivo, impossibilitando qualquer tipo de arquivamento ou encaminhamento. Essa característica tornou o software um refúgio para quem busca evitar a interceptação de comunicações.
A eficácia do aplicativo na ocultação de provas foi confirmada em investigações de alta complexidade. O ex-policial militar Élcio Queiroz, em delação premiada, admitiu que utilizava o Confide para tratar de assuntos reservados sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Segundo ele, o WhatsApp era usado para temas triviais, enquanto o Confide servia para conversas sigilosas.
O uso do aplicativo também foi mapeado em outros episódios envolvendo figuras públicas e esquemas de corrupção. Relatórios da Polícia Federal apontaram que o senador Flávio Bolsonaro utilizava a plataforma para se comunicar com o advogado Willer Tomaz, investigado por lavagem de dinheiro. Além disso, o Ministério Público Federal já havia identificado o uso do Confide por integrantes do esquema do ex-governador Sérgio Cabral em 2016, e a ferramenta também foi adotada por aliados da família Bolsonaro após as prisões de Fabrício Queiroz em 2020.
Em resumo
- O Confide utiliza criptografia e mensagens efêmeras que impedem a recuperação de dados por investigadores.
- O aplicativo foi utilizado por Ronnie Lessa e Élcio Queiroz para tratar do caso Marielle Franco.
- A ferramenta também foi identificada em comunicações do senador Flávio Bolsonaro e em esquemas de corrupção investigados pelo MPF.
Fonte: Revista Fórum

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