Coincidência de agendas: Flávio Bolsonaro assina petição no STJ no mesmo dia de votação no Senado
Senador Flávio Bolsonaro protocolou documento jurídico em processo de cliente compartilhado com Willer Tomaz na mesma data em que participou de sessão remota.

Foto: Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução · Original e licença
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) movimentou um processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ) no último dia 14 de outubro, data marcada por intensa atividade legislativa. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, o parlamentar protocolou uma petição às 23h23, poucas horas após ter registrado presença remota em uma sessão do Senado, por volta das 20h30, na qual foi discutida a proposta sobre o fim da escala 6x1.
O documento assinado pelo senador refere-se à defesa de Mário Gadelha Simas Filho, empresário envolvido em uma disputa societária na Simas Industrial de Alimentos. O caso também conta com a atuação do advogado Willer Tomaz, amigo pessoal de Flávio Bolsonaro. Embora Tomaz já integrasse a defesa, o senador assumiu a assinatura das peças processuais após ingressar no caso em 2022.
Dados levantados pela reportagem indicam que a empresa Simas é um dos principais clientes do escritório de advocacia do senador. Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, foram emitidas três notas fiscais que totalizaram R$ 3,3 milhões. No período entre janeiro de 2023 e julho de 2026, o faturamento total do escritório com seus clientes somou pelo menos R$ 13,7 milhões.
A relação entre o senador e Willer Tomaz é alvo de investigações da Polícia Federal sob suspeita de lavagem de dinheiro. Documentos citados pela Folha apontariam um suposto acesso operacional de Flávio Bolsonaro a contas de empresas de Tomaz, o que teria sido solicitado para exclusão em maio de 2025. Tanto o parlamentar quanto o advogado negam qualquer irregularidade, classificando o vínculo como uma relação de amizade e reafirmando a licitude de suas atividades.
Em resumo
- Flávio Bolsonaro assinou petição no STJ no dia 14 de outubro, mesma data em que votou remotamente no Senado.
- O senador atua na defesa de um cliente que também é representado pelo advogado Willer Tomaz.
- A empresa do cliente pagou R$ 3,3 milhões ao escritório do parlamentar entre 2023 e 2024.
- A Polícia Federal investiga a relação entre o senador e o advogado por suspeita de lavagem de dinheiro.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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