Política · Economia

Nordeste em foco: o que os números revelam sobre os governos Lula e Bolsonaro

Uma análise comparativa de cinco indicadores socioeconômicos essenciais para entender o desempenho das gestões federais na região Nordeste.

Foto: Flávio Bolsonaro e Lula - Flávio Bolsonaro e Lula em debate na Band (NELSON ALMEIDA / AFP) · Original e licença

A comparação entre os governos de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste ganha contornos mais claros através de indicadores oficiais que medem desde a renda das famílias até a infraestrutura hídrica. Embora os dados reflitam mudanças significativas, especialistas ressaltam que os resultados são influenciados por uma série de fatores, incluindo políticas estaduais, municipais e o cenário econômico global.

Na área da educação, o avanço da rede em tempo integral é um dos pontos de destaque. Segundo o Inep, a proporção de escolas com essa modalidade no Nordeste saltou de 23,2% em 2019 para 27,2% em 2022. Sob a gestão petista, o índice atingiu 33,5% em 2023, consolidando uma tendência de expansão que depende diretamente da articulação entre União e redes locais.

No setor de infraestrutura hídrica, a estratégia mudou de foco. Enquanto o governo Bolsonaro concentrou esforços na conclusão do Eixo Norte da transposição do Rio São Francisco e no Ramal do Agreste, com investimentos de R$ 4,7 bilhões entre 2019 e 2022, o atual governo, via Novo PAC, projeta R$ 11,2 bilhões para 71 empreendimentos de segurança hídrica até 2026. É importante notar que os valores do PAC são previsões de investimento, enquanto os dados anteriores referem-se a montantes já executados.

O rendimento domiciliar per capita no Nordeste apresentou uma recuperação expressiva, com alta de 20,2% entre 2022 e 2024, conforme estudo do FGV Ibre. O desempenho, que superou o de outras regiões brasileiras, é atribuído a uma combinação de fatores, como a dinâmica do mercado de trabalho e a reformulação de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.

Em relação à economia, o Nordeste manteve uma participação estável de 13,8% no PIB nacional entre 2022 e 2023. Já a indústria regional, após retrações em 2022 e 2023, voltou a crescer 2,5% em 2024, embora ainda em ritmo inferior à média nacional. Esses números, contudo, são sensíveis a variáveis como juros e custos de produção, que extrapolam a gestão direta do Executivo federal.

Em resumo

  • A educação em tempo integral no Nordeste saltou de 27,2% em 2022 para 33,5% em 2023.
  • O rendimento médio das famílias nordestinas cresceu 20,2% no biênio 2022-2024.
  • A participação da região no PIB nacional manteve-se em 13,8% entre 2022 e 2023.
  • A produção industrial regional registrou recuperação de 2,5% em 2024, após dois anos de queda.

Fonte: Revista Fórum

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