Declaração de Flávio Bolsonaro sobre juros futuros distorce dados econômicos
Checagem aponta que candidato confundiu pontos percentuais com porcentagem e não há evidências sobre suposta economia de R$ 200 bilhões no orçamento.

Foto: Selo ENGANOSO — Checagem em tempo real da Revista Fórum no debate presidencial na Globo - · Original e licença
Durante o debate realizado pela TV Globo, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que a taxa de juros futuros teria caído 2% logo após o primeiro turno das eleições, quando ele assumiu a liderança na apuração. Segundo o político, esse movimento teria liberado, de imediato, mais de 200 bilhões de reais no orçamento federal.
Embora tenha ocorrido uma queda nas taxas de juros futuros no período pós-eleitoral, a declaração é considerada enganosa por especialistas e agências de checagem. O erro principal reside na confusão entre pontos percentuais e a variação percentual da taxa. Dados do mercado financeiro indicam que a queda de quase 2 pontos percentuais foi observada apenas em contratos de longo prazo, como o DI para janeiro de 2035, e não uma redução de 2% sobre o valor total da taxa.
Além da imprecisão técnica, a afirmação sobre a liberação de 200 bilhões de reais no orçamento carece de comprovação. Fontes do mercado financeiro, como a CNN Brasil, apontam que a oscilação dos juros foi um reflexo multifatorial, influenciado pelo resultado das urnas, mas também por expectativas sobre a política fiscal e as decisões futuras do Banco Central.
Em resumo
- A queda dos juros foi medida em pontos percentuais, não em 2% da taxa total.
- A variação expressiva ocorreu apenas em contratos de longo prazo, como o DI para 2035.
- Não há evidências ou fontes que confirmem a abertura de 200 bilhões de reais no orçamento devido a essa oscilação.
Fonte: Revista Fórum

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