Política

Ato político em Camaçari termina em agressões e ofensas contra comunidade escolar

Vereadores da região metropolitana de Salvador lideraram manifestação que interrompeu aulas e resultou em denúncias de violência física contra estudantes e ataques verbais a professores.

Foto: - Os vereadores Jamessom da Silva (PL), à esquerda, e Maurício Qualidade (União), à direita, envolvidos na confusão. Créditos: divulgação · Original e licença

Uma mobilização de apoiadores do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, realizada na última quinta-feira (22) em Camaçari, na Bahia, gerou um cenário de hostilidade contra o Colégio Estadual de Camaçari. A atividade, que contou com a presença dos vereadores Jamessom (PL) e Maurício Qualidade (União Brasil), utilizou minitrios elétricos para proferir ataques diretos contra docentes e alunos que expressavam apoio à candidatura de Lula (PT).

Relatos colhidos pelo portal A TARDE indicam que o tumulto teve início nas imediações da sede do Sindicato dos Professores da Rede Pública de Camaçari (Sispecs). Max Rangel, diretor de comunicação da entidade, afirmou que os parlamentares proferiram xingamentos contra os profissionais da educação enquanto passavam pela porta do sindicato, antes de seguirem para a frente da unidade escolar. O Grêmio Estudantil Tempos Modernos emitiu nota oficial repudiando a interrupção das atividades pedagógicas, destacando que o planejamento escolar e a preparação para avaliações foram prejudicados pelo volume excessivo de som e pelas provocações do grupo.

O clima de tensão escalou para denúncias de violência física. Uma estudante, identificada como Keila, formalizou um boletim de ocorrência após relatar ter sido agredida por uma participante do ato político. O episódio ganhou visibilidade nacional, levando o presidente Lula a utilizar as redes sociais para prestar solidariedade à jovem, aos demais estudantes e aos professores, reforçando que o direito à livre expressão não deve ser alvo de agressões.

O vereador Jamessom, um dos envolvidos no episódio, já havia protagonizado uma situação de conflito com a categoria docente em abril de 2026. Naquela ocasião, durante uma sessão na Câmara Municipal, ele rasgou o contracheque de Sara Santiago Carneiro, presidente do Sispec, enquanto a sindicalista defendia a votação de um projeto de reajuste salarial para a classe. Embora tenha pedido desculpas posteriormente sob pressão, o ato foi amplamente repudiado por entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Em resumo: - Vereadores Jamessom e Maurício Qualidade lideraram ato que interrompeu aulas e atacou professores e alunos em Camaçari. - Uma estudante registrou boletim de ocorrência após sofrer agressão física durante a manifestação. - O presidente Lula manifestou solidariedade à comunidade escolar atingida. - O vereador Jamessom possui histórico de conduta agressiva contra lideranças sindicais da educação.

Fonte: Revista Fórum

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