Cientistas repatriados lançam manifesto e alertam para riscos de propostas de Flávio Bolsonaro
Coletivo Mais Ciência, formado por pesquisadores que retornaram ao país, declara apoio a Lula e critica ausência de investimentos em plano de governo de Flávio Bolsonaro.

O coletivo Mais Ciência, que congrega cerca de 600 pesquisadores repatriados ao Brasil, oficializou seu apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência. O grupo é composto majoritariamente por profissionais que deixaram o país durante a gestão de Jair Bolsonaro, período marcado por cortes severos no setor, e que retornaram através do Programa Conhecimento Brasil, lançado pelo governo federal em 2023.
Em manifesto divulgado recentemente, os cientistas expressaram profunda preocupação com o plano de governo apresentado por Flávio Bolsonaro (PL) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o documento, o texto do candidato bolsonarista sequer menciona investimentos em pesquisa, tecnologia ou na formação de novos cientistas.
O grupo aponta riscos em propostas que sugerem a transferência da governança do ensino superior do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). O alerta ganha peso ao comparar os orçamentos de 2026: enquanto o MEC dispõe de R$ 269 bilhões, a verba própria do MCTI é de apenas R$ 15 bilhões, o que, na visão dos pesquisadores, poderia inviabilizar a estrutura acadêmica.
Além da reestruturação administrativa, o manifesto critica a possível reorientação da Capes e do CNPq. Para os signatários, essas mudanças podem subordinar a produção científica nacional exclusivamente aos interesses do mercado ou à exportação de commodities, comprometendo a soberania tecnológica do país.
Em resumo
- O coletivo Mais Ciência, com 600 pesquisadores, manifestou apoio à reeleição de Lula.
- O grupo critica a ausência de propostas para ciência e tecnologia no plano de governo de Flávio Bolsonaro.
- Pesquisadores alertam que a transferência da gestão do ensino superior para o MCTI pode causar um colapso orçamentário no setor.
Fonte: ICL Notícias

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