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MPE pede ao TSE cassação de Márcio Canella por supostos vínculos com milícias e facções

Vice-procurador-geral eleitoral aponta infiltração de grupos criminosos na política e pede anulação da candidatura de deputado eleito após novas provas do STF.

Foto: - Flávio Bolsonaro ao lado de Márcio Canella. Créditos: divulgação · Original e licença

O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, protocolou um parecer junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando a anulação do registro de candidatura de Márcio Canella (União Brasil). O parlamentar, que foi o segundo deputado estadual mais votado no Rio de Janeiro e conta com o apoio político de Flávio Bolsonaro, é alvo de graves acusações envolvendo conexões com milícias e organizações criminosas.

No documento, o Ministério Público Eleitoral (MPE) argumenta que a decisão anterior do TRE-RJ, que havia validado a candidatura, ocorreu sem acesso a provas cruciais do Inquérito nº 5.020/DF, que tramita no Supremo Tribunal Federal. O sigilo sobre esses documentos foi levantado apenas neste mês, após a prisão de Canella, o que, segundo Espinosa, altera substancialmente o cenário jurídico.

A base do pedido reside no artigo 17 da Constituição Federal, que veda a influência de grupos paramilitares em agremiações partidárias. O MPE sustenta que o conjunto probatório é robusto o suficiente para impedir a participação do político no pleito, independentemente de uma condenação criminal definitiva. Entre as suspeitas, o órgão aponta a nomeação de milicianos para cargos na prefeitura de Belford Roxo e supostos acordos com a facção Comando Vermelho durante a chamada Operação Barricada Zero.

Márcio Canella foi preso em 15 de outubro, durante a 8ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro via postos de combustíveis. Dados do Coaf indicam que a organização movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos. A defesa do deputado contesta o pedido do MPE, alegando que o órgão perdeu o prazo processual adequado para impugnar a candidatura em setembro e que não houve alteração na situação jurídica do cliente.

Em resumo

  • O MPE pede ao TSE a anulação da candidatura de Márcio Canella por supostos elos com milícias e o Comando Vermelho.
  • O pedido baseia-se em novas provas do STF que não estavam disponíveis quando o TRE-RJ autorizou o registro.
  • Canella foi preso em outubro na Operação Unha e Carne, que apura lavagem de dinheiro superior a R$ 7,6 bilhões.
  • A defesa alega que o Ministério Público perdeu o prazo para contestar a candidatura.

Fonte: Revista Fórum

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