Mobilização popular é o único caminho para o governo Lula enfrentar o Congresso, diz Breno Altman
O jornalista Breno Altman defende que o Executivo deve abandonar a conciliação tradicional e convocar as ruas para viabilizar reformas estruturais, evitando que o Legislativo dite os rumos do país.

Foto: Breno Altman , Lula Crédito: Divulgação | Ricardo Stuckert / PR · Original e licença
O jornalista Breno Altman avaliou que a sobrevivência política e a capacidade de realizar mudanças profundas no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva dependem de uma ruptura com o modelo de governabilidade adotado historicamente pelo PT. Em entrevista ao programa Bom Dia 247, ele sustentou que a atual correlação de forças no Parlamento exige que o governo coloque a pressão das ruas no centro de sua estratégia, sob o risco de ver sua agenda ser capturada por interesses parlamentares e econômicos.
Segundo a análise de Altman, o método de negociação que privilegia acordos de cúpula antes de qualquer consulta à sociedade civil esgotou sua eficácia. Ele argumentou que, ao buscar consensos prévios com o empresariado e o Congresso, o governo acaba por excluir a população do processo decisório, transformando os eleitores em meros observadores. O jornalista alertou que, caso o presidente não chame o povo para ocupar o espaço político e pressionar o Legislativo, o próprio Congresso acabará por limitar a autonomia do Executivo.
Como evidência de que a mobilização social possui força para alterar prioridades, Altman apontou o movimento pelo fim da escala de trabalho 6x1. Ele observou que a pauta não figurava entre as prioridades iniciais do governo e enfrentou resistência interna, mas acabou sendo incorporada à agenda oficial devido à pressão direta dos trabalhadores. Para o jornalista, esse episódio ilustra como as ruas podem impor temas que o sistema institucional, por si só, ignoraria.
Para superar a inércia, Altman propõe que o governo apresente um programa de reformas estruturais sem concessões antecipadas, utilizando a mobilização popular como alavanca para as negociações parlamentares. Sua sugestão inclui cinco eixos centrais: uma reforma tributária focada em renda e patrimônio, o fortalecimento da agricultura familiar e da reforma agrária, a expansão do sistema público de saúde, uma reforma financeira para combater a concentração bancária e, por fim, uma reforma político-judicial que amplie a participação popular.
Embora reconheça que o confronto com setores conservadores e econômicos traga riscos de desestabilização, o jornalista afirmou que a manutenção da postura moderada é ainda mais perigosa. Ele concluiu que o governo precisa tratar a participação social como um elemento permanente de sustentação, sob pena de ver a base eleitoral se distanciar e abrir espaço para o avanço da extrema direita. Em resumo: - Breno Altman defende que o governo Lula deve priorizar a mobilização popular para pressionar o Congresso Nacional. - O jornalista critica a metodologia de negociação institucional adotada em governos anteriores do PT. - A mobilização pelo fim da escala 6x1 é apontada como modelo de sucesso para a imposição de pautas sociais. - Altman sugere cinco eixos de reformas, incluindo mudanças no sistema tributário e financeiro.
Fonte: Brasil 247

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