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Cânhamo industrial: por que o Brasil precisa rever regras para o clima tropical

Estudo da Embrapa aponta que limite rígido de THC pode inviabilizar o cultivo de cânhamo no Brasil e sugere adaptação às condições climáticas do país.

Foto: Crédito: REUTERS/Matias Baglietto · Original e licença

O Brasil enfrenta um desafio estratégico para destravar o potencial econômico do cânhamo industrial. Atualmente, o país adota o limite de 0,3% de THC para o cultivo de cannabis, um parâmetro internacional que, segundo pesquisadores, não considera as particularidades do clima tropical brasileiro. A discussão ganha força com a publicação da Nota Técnica nº 01/2026, assinada por especialistas da Embrapa, do Instituto Ficus e da Associação Nacional do Cânhamo Industrial.

O problema central reside na biologia da planta. Variedades desenvolvidas em países de clima temperado reagem de forma distinta sob a radiação solar e o fotoperíodo do Brasil, o que pode elevar o teor de THC mesmo em sementes certificadas. Essa rigidez regulatória cria um risco jurídico desnecessário para o produtor rural, que pode ter sua lavoura descartada por variações ambientais alheias ao seu controle. Segundo Larissa Uchida, CEO da CannExp, "o limite de THC é muito mais do que um detalhe técnico".

Para evitar que o Brasil perca competitividade e continue dependente de importações, o estudo sugere a adoção de limites mais flexíveis, como 0,5% ou 1%, para usos industriais como fibras e grãos. A proposta não defende a ausência de controle, mas sim uma regulamentação inteligente, com fiscalização rigorosa e acompanhamento técnico contínuo. O setor, que movimentou R$ 1,94 bilhão em 2025, estima um potencial de até R$ 51 bilhões anuais com uma regulação ampla.

O debate sobre o futuro do cânhamo no país será um dos eixos centrais da 4ª edição da ExpoCannabis Brasil, que ocorre entre 20 e 22 de novembro no São Paulo Expo. Antes disso, no dia 18, o Cannabis Business Hub reunirá investidores e tomadores de decisão para discutir a integração entre ciência, mercado e políticas públicas.

Em resumo

  • A Nota Técnica nº 01/2026 sugere flexibilizar o limite de THC para o cânhamo industrial no Brasil.
  • O clima tropical pode elevar o teor de THC, gerando insegurança jurídica para agricultores.
  • O mercado de cannabis tem potencial de movimentar até R$ 51 bilhões anuais no país.
  • A ExpoCannabis Brasil 2026 debaterá esses avanços regulatórios em novembro.

Fonte: Brasil 247

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