Economia · Justiça

Justiça trava bilhões de esquema ligado ao PCC no setor de combustíveis em SP

Decisão judicial atinge 32 alvos e busca recuperar créditos tributários ocultados por meio de complexas estruturas financeiras e fundos de investimento.

Foto: Terceira fase da operação Carbono Oculto Crédito: Receita Federal · Original e licença

Uma ofensiva da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo resultou em um bloqueio judicial massivo, totalizando 10,8 bilhões de reais. A medida, que recai sobre 32 alvos entre pessoas físicas e empresas, faz parte dos desdobramentos da Operação Carbono Oculto, que apura como o Primeiro Comando da Capital (PCC) se infiltrou no mercado de combustíveis para lavar dinheiro e evadir obrigações fiscais.

O magistrado responsável pela decisão, datada de 19 de outubro, acatou o argumento da PGE-SP de que os investigados montaram um labirinto societário para esconder a origem e a propriedade real de seus bens. A estratégia envolvia a circulação de ativos entre fundos de investimento, holdings e companhias de fachada, criando uma cortina de fumaça que impedia o fisco de identificar quem realmente detinha o controle econômico sobre os recursos.

A Procuradoria explicou que o enfrentamento a esse tipo de fraude exige que o Estado ignore a fachada formal dos negócios para rastrear o fluxo real do dinheiro. Segundo o órgão, os investigados utilizavam estruturas que pareciam independentes, mas que na prática eram controladas pelos mesmos interesses, permitindo que bens fossem blindados contra cobranças judiciais e dívidas tributárias.

O caso ganhou contornos mais graves após a terceira etapa da operação, realizada em setembro de 2026, que expôs a colaboração de profissionais do mercado financeiro. A investigação detalhou, por exemplo, uma transação de 370 milhões de reais envolvendo uma usina sucroalcooleira, na qual o uso de fundos de direitos creditórios serviu para manter o controle do negócio sem que os verdadeiros donos aparecessem nos documentos oficiais. Entre os citados na apuração, constam nomes com passagens por instituições como o Banco Genial e o Banco Master.

Em resumo: 10,8 bilhões de reais foram bloqueados de 32 alvos pela Justiça paulista. A ação busca recuperar dívidas tributárias e desarticular a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis. O esquema utilizava fundos e holdings para ocultar os beneficiários finais de ativos.

Fonte: Brasil 247

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