Imprensa alemã crava: vitória de Lula desmantelou plano de Marco Rubio para a América Latina
Análise da revista Der Spiegel aponta que o triunfo petista nas urnas frustrou a agenda conservadora de Washington e isolou o bolsonarismo após a fuga de Flávio Bolsonaro.

Foto: Lula em ato em Copacabana na véspera do segundo turno - Foto: MAURO PIMENTEL / AFP) · Original e licença
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva não foi apenas um marco doméstico, mas um golpe direto nas pretensões geopolíticas do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. A avaliação é de Jens Glüsing, correspondente da revista alemã Der Spiegel, que em seu podcast Acht Milliarden, publicado neste sábado (31), afirmou que o resultado eleitoral brasileiro enterrou o projeto de Rubio de alinhar a América Latina a um bloco de extrema-direita.
Segundo o jornalista, o secretário de Estado norte-americano atuava como o principal fiador ideológico dos Bolsonaro em Washington. No entanto, a permanência de Lula no Brasil, somada à continuidade do governo de Claudia Sheinbaum no México, impediu a consolidação do eixo conservador que Rubio tentava articular na região. Glüsing observou que o governo brasileiro, ciente das divergências internas na administração dos EUA, optou por estabelecer canais de comunicação diretos com o presidente Donald Trump, buscando contornar a influência do secretário de Estado.
No campo eleitoral, o correspondente alemão destacou a virada estratégica do PT no segundo turno. Ele atribuiu o sucesso à mobilização digital intensa, que contou com a participação do deputado André Janones, e ao uso estratégico de vídeos curtos via WhatsApp. Para Glüsing, essa movimentação foi fundamental para engajar o eleitorado jovem e garantir a vitória, superando as dificuldades enfrentadas na primeira etapa da campanha.
O jornalista também desqualificou as tentativas de Flávio Bolsonaro de questionar a legitimidade do pleito. Glüsing pontuou que, embora o candidato derrotado tenha tentado culpar a extensão do horário de votação pelo resultado, os dados mostram que apenas 35 mil pessoas votaram nas duas horas extras, um número ínfimo diante da vantagem de mais de 4 milhões de votos obtida por Lula. Para o analista, a contestação bolsonarista carece de base democrática.
Por fim, a análise aborda a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, interpretada pelo correspondente como uma tentativa de escapar das investigações sobre corrupção e lavagem de dinheiro, bem como das ordens judiciais do ministro Alexandre de Moraes. Glüsing concluiu que o episódio, somado à postura de não aceitação do resultado, aprofundou o isolamento do senador, inclusive entre setores da própria direita que já buscam dialogar com o governo eleito.
Em resumo: - A vitória de Lula é interpretada como uma derrota política direta para o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. - A estratégia de mobilização digital no segundo turno foi apontada como o fator decisivo para a virada eleitoral. - A tentativa de contestar o resultado pelo horário de votação é considerada irrelevante, dada a vantagem de 4 milhões de votos. - A fuga de Flávio Bolsonaro para o exterior é vista como uma manobra para evitar a Justiça, o que isolou o senador politicamente.
Fonte: Revista Fórum

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