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O efeito 'Lulazo': Vitória de Lula vira manual de sobrevivência para a oposição argentina contra Milei

A reeleição de Lula no Brasil inspira a oposição argentina a buscar uma frente ampla para derrotar Javier Milei em 2027, em meio a desgastes econômicos e tensões diplomáticas.

Foto: Lula e Javier Milei Crédito: PR/Reuters · Original e licença

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, consolidada após uma virada histórica sobre Flávio Bolsonaro, ecoou além das fronteiras brasileiras e transformou-se em um símbolo de resistência para a oposição argentina. O fenômeno, batizado de “Lulazo” pela imprensa vizinha, reacendeu o debate sobre a viabilidade de uma frente ampla para enfrentar o governo de Javier Milei nas eleições de outubro de 2027.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, lideranças argentinas veem no resultado brasileiro não apenas um alento para o campo progressista, mas uma derrota política direta para Milei, que se engajou pessoalmente na campanha de Flávio Bolsonaro. O apoio explícito do presidente argentino ao candidato do PL, que incluiu ataques verbais a Lula, é interpretado por opositores como um erro estratégico que isolou o governo de Buenos Aires.

A inspiração brasileira já se traduz em ações práticas. Apoiadores do peronismo criaram o canal “Exército do Peronismo”, replicando estratégias de comunicação digital utilizadas no Brasil. Para o deputado Martín Lousteau, da União Cívica Radical, o exemplo brasileiro é claro: “A vitória de Lula evidencia a necessidade de organização e de unir esforços”.

O cenário econômico argentino, contudo, permanece como o principal campo de batalha. Embora o governo Milei tenha conseguido reduzir a inflação mensal de 25,5% em dezembro de 2023 para 1,9% em setembro de 2026, o custo social tem sido elevado. Dados da Fundação Fundar apontam o fechamento de mais de 30 mil empresas no país, o maior recuo em 24 anos. Pesquisas citadas pelo jornal Clarín indicam que 57% dos argentinos desaprovam a gestão atual.

Apesar do descontentamento popular, a oposição argentina ainda enfrenta o desafio de superar divisões internas entre figuras como Cristina Kirchner, Axel Kicillof e Sergio Massa. A tensão diplomática entre os dois países atingiu novo patamar após a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, com parlamentares argentinos investigando se houve auxílio do governo Milei no deslocamento.

Em resumo

  • A vitória de Lula é vista pela oposição argentina como um modelo de mobilização para derrotar a extrema direita em 2027.
  • O governo Milei enfrenta desgaste com 57% de desaprovação e o fechamento recorde de 30 mil empresas.
  • A participação de Milei na campanha brasileira é considerada um revés político que agravou o isolamento diplomático do país.
  • A oposição argentina busca superar a fragmentação interna para construir uma candidatura competitiva contra o atual presidente.

Fonte: Brasil 247

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