Centrão articula reforma eleitoral para frear avanço do PL na Câmara
Lideranças parlamentares negociam a transição para o sistema distrital misto, buscando alterar as regras de eleição para deputados federais após o crescimento da bancada bolsonarista.

Foto: Prefeito Ricardo Nunes enfrenta pedido de impeachment na Câmara Municipal de São Paulo, enquanto vereadores da oposição questionam a transparência dos trabalhos da comissão responsável pela análise da denúncia Crédito: Divulgação/Câmara SP · Original e licença
Após o expressivo crescimento do PL nas eleições de 2026, quando a legenda alcançou 121 cadeiras — a maior bancada desde a Constituinte —, lideranças do Centrão iniciaram uma articulação para reformar o sistema eleitoral brasileiro. O objetivo central é substituir o atual modelo proporcional de lista aberta pelo sistema distrital misto, medida que visa preservar a influência dos partidos de centro na formação de maiorias legislativas.
As negociações são conduzidas pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que busca apoio tanto no PT quanto em alas do próprio PL para viabilizar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Segundo o planejamento em discussão, a mudança ocorreria de forma gradual: uma etapa de transição em 2030, com a implementação integral do novo modelo prevista para 2034.
O sistema distrital misto propõe que metade das vagas na Câmara seja preenchida por vencedores de disputas em distritos regionais, enquanto a outra metade seria definida por listas partidárias pré-ordenadas. A mudança aumentaria significativamente o poder das direções partidárias sobre a composição das bancadas. O deputado Domingos Neto (PSD-CE) é cotado para assumir a relatoria da proposta, que ainda enfrenta resistência interna e ceticismo sobre a conveniência de alterar as regras logo após um pleito polarizado.
A viabilidade da reforma é um desafio político, exigindo o apoio de pelo menos 308 deputados e 49 senadores em dois turnos de votação. Enquanto defensores como Gilberto Kassab e Ciro Nogueira argumentam que o modelo aproxima o parlamentar do eleitor, críticos apontam riscos, como a possível influência do crime organizado em distritos específicos e a redução da diversidade na representação política.
Em resumo
- O Centrão articula a adoção do sistema distrital misto para conter o peso do PL, que hoje detém 23,6% da Câmara.
- A proposta prevê transição em 2030 e implementação total em 2034, com metade das vagas via distritos e metade via listas partidárias.
- A mudança exige quórum qualificado de 308 votos na Câmara e 49 no Senado para alterar a Constituição.
Fonte: Brasil 247

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